(Lucien Vieira)
Muito me confunde essa minha dor:
se é propriamente um resultado, de fato,
de mim, pelo senso,
decorrência de ti,
pelo teu estado
do simples desamor,
ou ainda a possível fusão destes
— em transe.
Onde, portanto,
configura-se o alcance
do que é
e do que penso?
O espaço e o tempo, talvez —
velhos sábios, mestres da lucidez,
quem sabe,
desse dilema,
os sentidos dos nós em nós,
sem as carícias de um poema,
esclareçam as tácitas respostas.
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Autor:
Lucien Vieira (
Offline) - Publicado: 30 de abril de 2026 17:53
- Comentário do autor sobre o poema: ... resultado de mim" (subjetividade/senso) ou uma "decorrência de ti" (objetividade/estado de desamor). Há um conflito entre o que sentimos e o que nos provocam.
- Categoria: Amor
- Visualizações: 5

Offline)
Comentários1
Boa noite poeta! O eu lírico tenta dissecar se a dor nasce de dentro (autoinduzida pelo senso), de fora (causada pelo desamor do outro) ou de uma fusão confusa entre ambos. É um conflito entre o fato e a percepção. O estado de transe sugere um impasse emocional onde a razão não consegue mais separar o eu do tu. O uso de termos como configura-se, decorrência e alcance, dá ao poema um tom quase científico, revelando uma tentativa frustrada de organizar o caos emocional através do intelecto. Ao final, o autor abdica da busca por respostas imediatas, entregando ao Espaço e ao Tempo a tarefa de desatar os nós. A poesia aqui é vista como uma carícia que pode consolar, mas que talvez não consiga, sozinha, trazer a lucidez técnica que o autor procura. Abraço poético.
Fico feliz com seu comentário, Vilma. Um abraço carinhoso!
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