185 - O APAGÃO

Arthur Santos

O APAGÃO
 
amor,
acende a luz se faz favor
isto assim não é nada divertido.
não consigo, a lâmpada fundiu.
não pode ser, a televisão também não funciona,
estava a ver em diferido o Real Barcelona
e desapareceu tudo, ficou tudo mudo.
péra aí vou ver o quadro.
pode ser que os fusíveis tenham pifado-
pois e tens que os reparar.
ainda agora estava tudo a funcionar-
olha com o quadro está tudo bem,
liga à tua mãe.
já liguei e não responde,
deve andar com a cabeça na lua.
olha que não, já vejo movimentações na rua.
já estou a milhas...
liga o rádio a pilhas.
já liguei, estão a dizer que também
em Espanha e França não há electricidade,
parece ser um atentado à soberania da Europa
mas ninguém sabe se é verdade,
é apenas uma conjectura.
agora dizem que foi da temperatura,
que grande confusão.
outros dizem que foi uma explosão.
nada faz sentido,
o governo está reunido,
há engarrafamentos monstruosos,
gente detida nos tenebrosos
túneis do metropolitano
e como é próprio do ser humano,
começam a estar preocupados,
já há corridas aos supermercados.
estão a esgotar pilhas, rádios, lanternas,
parecemos às vezes homens das cavernas,
papel higiénico, latas de conserva e geradores...
os portugueses são mesmo uns amores!
últimas notícias, dizem que dentro de horas
tudo estará normalizado,
daqui a pouco está de novo tudo ligado.
olha jantamos à luz das velas,
ou um jantar romântico à luz das estrelas.
é esse o panorama
e depois vamos para a cama.
olha parece que é o fim do apagão...
amor estou a ouvir o som da televisão,
vai lá à sala ver se é verdade,
que falta nos faz a electricidade...
já vi, pronto já temos luz.
isto é que foi uma aventura de truz,
  • Autor: Arthur Santos (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 29 de abril de 2026 20:11
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 5
  • Usuários favoritos deste poema: Vilma Oliveira
Comentários +

Comentários1

  • Vilma Oliveira

    Boa noite poeta! Este poema é uma crônica cotidiana em verso que usa um apagão elétrico como metáfora para a fragilidade da vida moderna. O tom é coloquial, quase um diálogo teatral, marcado por uma ironia leve sobre a dependência tecnológica. A transição rápida do incômodo doméstico (perder o jogo de futebol) para o pânico social (corridas ao supermercado e medo de atentados). O autor brinca com o comportamento humano — a regressão ao estado de homens das cavernas diante da falta de luz e o estoque imediato de papel higiênico. O final é pragmático e doméstico; uma vez que a luz volta, o caos é esquecido e a rotina se restabelece, reforçando o quanto a eletricidade é o sangue da sociedade atual. Meu abraço poético.



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