Uma irmã, I

Raquel Costa

Oi, perdão, acho que você está esquecida

Eu sou a Raquel, sua irmã, uma amiga

Me encontro nessa sepultura de novo derramando meu choro

O retorno, vendo se em um sonho eu paro de ter tanto sono

De viver, de olhar, de encarar

O abismo dos remorsos me engoliu desde lá

Você era tão linda, minha primeira companhia

Minha primeira ouvinte, minha primeira alegria

Me perdoe, por favor, eu não tinha a noção

Do que era sentir essa dor, de perder todo o meu chão

Era percebível que o que sentíamos era mútuo

Os meus eus lamentariam todo o nível dos meus surtos

Eu peço que me espere onde quer que você esteja

Já passaram alguns anos, mas duvide que eu esqueça

Era mais um dia normal, fazer compras no mercado

Se não fosse você, meus ossos que estariam quebrados

Uma falta de atenção fez eu perder você

Uma plena discussão, os freios falharem, as rodas andarem e só sofrer

Se não fosse você, ia ser eu que subiria a escada até o coração

Eu sempre serei grata, mas eu podia mudar, o sacrifício não era uma opção

Essas memórias ficaram tão ofuscadas, eu era tão nova, não sabia de nada

Não existia medo, você foi tão cedo, nem conheceu a Bagheera mas ela te amaria

Hoje eu trago flores pra mostrar que eu ainda choro, eu realmente te amava

Seu laço rosa ainda comigo, sempre que choro e desisto, eu ser feliz era o que você queria

Eu te amo, eu te amo

Eu te amo, eu te amo

Eu te amo, me desculpa

Por não salvar todos esses seus anos

  • Autor: Raquel Costa (Offline Offline)
  • Publicado: 29 de abril de 2026 15:32
  • Comentário do autor sobre o poema: Pequena coisa que eu escrevi na aula enquanto não fazia nada, dedicada a minha antiga e primeira cachorrinha que me impediu de ser atropelada no estacionamento de um mercado, mas levando ela no meu lugar (e também Bagheera é o nome da gata que meus pais adotaram logo depois)
  • Categoria: Perdão
  • Visualizações: 4


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