Emerge a musa em nívea claridade,
Onde a epiderme, em seda convertida,
Exala uma sutil voracidade
Sob a luz pela copa refletida.
É o mármore vivo, de toque latente,
Que oferta ao olhar o frescor da alvorada,
Um convite mudo, mas tão eloquente,
Em cada curva de pele alva e delicada.
Sobre esse altar de brancura infinita,
Despenca o incêndio em fios de carmim;
É a flama de Vênus que o busto habita,
Em cascatas de cobre que não têm fim.
O ruivo é o estigma, o selo do fogo,
Que enreda os sentidos em tramas de sol,
Fazendo do desejo um sagrado jogo,
Preso nas redes de um rubro lençol.
Há um ardor que transborda o contorno,
No contraste do âmbar com o pálido véu;
Um magnetismo denso, de brilho adorno,
Que busca a terra, mas vem do céu.
Nesse matiz de outono e desejo,
A alma se perde em total rendição,
Ansiando o que finda em um mudo desejo:
A posse da chama em plena mansidão.
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Autor:
Versos Discretos (
Offline) - Publicado: 29 de abril de 2026 09:21
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 2
- Em coleções: Musas que Marcam.

Offline)
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