Retrato Espontâneo

Ricardo Maria Louro

Num gesto suspenso e cansado

alguém surgiu ao longe

caminhando passo a passo

solitário como um monge.

 

Era alguém! Bem sei que era!

Alguém sem nada que nada diz

passando livido como a cera

por entre os outros infeliz.

 

Trazia olhar de prata

olhos negros cor de fado

alguém que a morte não abraça

um poeta já cansado.

 

Quem seria tal figura

que o destino ali nos deu?!

Olhei com olhos de ternura

e afinal aquele era eu! ...



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