Uma mensagem de recado em voz, deixada as 03:00 da manhã, no meu primeiro dia de trabalho funerário.
"Boa noite, quem é que seja,
Eu só to ligando pra falar que eu comprei uma fita, com vocês, e dessa vez não teve a mesma sensação,
Será que eu sou diferente, ou isso tudo agr é alucinação?.
Eu to numa ponte de incertezas, e eu não tenho certeza alguma,
Eu to sendo levado por alguma correnteza,
Espero que essa ventania suma,
Minha seda caiu na água e já não tem mais tanto valor,
e de qualquer forma tinha a chuva,
Eu bebi muita breja também,
Talvez isso atrapalhou,
Agora o buraco é fundo,
Mais fundo do que a singularidade que eu sou,
Bom,
eu só me estiquei pra conseguir levitar melhor...
Eu acho que é isso, falou."
Por mais que a gente não vendesse fitas,
Aquele foi o bip mais longo e distorcido que o meu ouvido escutou.
Na tarde, eu nem sou acostumado a ver jornal,
odeio tudo que só mostre oq não é real,
Mas uma reporter começou a chorar e se emocionar,
aquilo chamou minha atenção,
Ela fez um discurso sobre vida e morte tão forte,
Que me deu uma despersonalização,
talvez o peso do beep, ainda oscilava meu coração.
1:00 da manhã, faltava 2 horas pra eu sair do meu plantão,
e de Santana pro Jaraguá, essas horas,
é uma balsa de baldeação,
Decidi caminhar,
não tinha pegado nada pra comer,
é questão de fumar um cigarrinho e beber sem pretenção alguma,
Eu tinha que cruzar uma ponte pra comprar
A breja,
Mas quem tem boca e perna,
Anda enquanto fuma,
Ou fuma enquanto tenta correr.
Depois do primeiro gole,
é a mesma sensação do primeiro trago,
Um estrago viceral de dopamina acumulada sendo liberado, Por minuto,
Que sempre deixa tudo estasiado,
De um lado a breja do outro o cigarro,
Só faltava o beck, mas esse eu tinha tirado do jaco e botado no maço,
amém,
Horas de lombra e
Decidi voltar prq a vida é sim um morango, mas com leite condenado,
Tanto que a chuva começou a ficar forte, cada passo era um minuto, e cada minuto 1000 pensamentos,
e eu tava sem a porra do casaco,
Comecei a correr, já não enxergava mais nada estável,
Eu tava com frio,
Correndo lento, tentando correr rápido,
Na merda da ponte,
O frio e o vento quase me derrubaram,
de repente eu me deparo,
com um homem falando no celular,
encima da grade de proteção o desgraçado,
Com o mesmo casaco que a minha empresa usa, outra despersonalização,
Ele Tira o casaco e joga em minha direção, mas antes de cair na minha mão,
Cai no chão um beck dobrado num papel molhado.
Quando escuto sua voz...
Com Coração acelerado,
Pensamento em eco,
Com falta de ar no pulmão,
acabo tendo a minha mais longa despersonalização,
Enquanto Ele diz,
"Você é diferente ou é alucinação?"
"Você é diferente ou é alucinação?"
"Você é diferente ou é alucinação?"
"Você é diferente ou é alucinação?"
"Você é diferente ou é alucinação?"
"Você é diferente ou é alucinação?"
"Você é diferente ou é alucinação?"
"Você é diferente ou é alucinação?"
"Você é diferente ou é alucinação?"
"Você é diferente ou é alucinação?"
"Você é diferente ou é alucinação?"
"Você é diferente ou é alucinação?"
"Você é diferente ou é alucinação?"
"Você é diferente ou é alucinação?"
"Você é diferente ou é alucinação?"
"Você é diferente ou é alucinação?"
"Você é diferente ou é alucinação?"
"Você é diferente ou é alucinação?"
"Você é diferente ou é alucinação?"
"Você é diferente ou é alucinação?"
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Autor:
Castrovsk (
Offline) - Publicado: 28 de abril de 2026 15:46
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 5
- Em coleções: Muita alma e muita arte..

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