Eu me sinto preso
num quarto tomado por fumaça,
onde as paredes se fecham devagar,
como se esperassem
o momento exato de me esmagar.
Eu tento sustentar o teto
com pilares frágeis,
como se esforço sozinho
fosse suficiente pra não desabar.
Mas nada do que eu faço,
falo, grito
ou tento ser
parece alcançar alguém.
É como lutar contra um fantasma
chamado “erros do passado”,
um inimigo que não cansa,
que não sangra,
que nunca perde.
Quantas batalhas ainda cabem em mim?
Quantas vezes eu posso cair
antes de simplesmente parar?
Eu só queria ser ouvido…
de verdade.
Queria que você escutasse
o som do meu coração cansado,
cada batida mais fraca
a cada discussão,
a cada palavra sua
afiada como lâmina.
Minhas palavras chegam calmas,
mas se perdem
diante da sua raiva.
E eu tremo.
Eu não merecia aquilo.
Não merecia o soco.
Não merecia a agressão.
Mesmo com todos os meus erros,
nada disso justifica a violência.
Nada.
Dói perceber
que o que era pra ser abrigo
virou tempestade.
Dói perceber
que você não enxerga
que a gente deveria lutar junto,
e não um contra o outro.
E mesmo tentando,
mesmo insistindo,
mesmo me quebrando aos poucos
a dor continua.
Ei, Senhor…
o Senhor sabe que eu estou cansado.
Sabe das lágrimas no banho,
dos gritos engolidos,
das noites em que eu só queria sumir.
Me dá força…
porque minhas pernas estão falhando
e meu coração está frágil.
Me deixa descansar um pouco,
sem me fazer desistir.
Só me dá mais um pouco de força
pra continuar tentando…
porque o Senhor sabe
o quanto eu já lutei.

Offline)
Comentários1
Bonito poema
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