Mitologia: Deus do Vinho
Não é Baco que eu canto,
nem Dionísio de taça na mão,
é outro Deus que me encanto —
O que transforma água em salvação.
Em Caná, sem alarde ou cena,
Viu faltar alegria no altar.
Seis talhas de pedra, pequenas,
Ele mandou os servos encher até transbordar.
Não era vinho de esquecer a dor,
nem pra embriagar a razão,
era vinho de resgatar amor,
de devolver festa ao coração.
O mundo serve o pior primeiro,
te dá o doce e esconde o fel.
Mas o meu Deus é o último e o certeiro:
guarda o melhor vinho pro fim do papel.
Ele não precisa de uva, nem de lagar,
nem de tempo pra fermentar.
Onde Ele pisa, o seco faz brotar,
onde Ele manda, a falta vira manjar.
Me chamam de louco, de embriagado,
mas é do Espírito que eu estou cheio.
É vinho novo em odre restaurado,
é gozo que não cabe no peito, é meio.
Então me serve, Senhor, desse Vinho,
que não dá ressaca nem ilusão.
Que limpa a mágoa, endireita o caminho,
e faz da minha vida celebração.
Porque o Deus que eu sigo
não vende barato alegria.
Ele mesmo é o Vinho antigo,
derramado em cruz pra ser minha poesia.
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Autor:
GINO (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 26 de abril de 2026 20:02
- Categoria: Espiritual
- Visualizações: 8
- Usuários favoritos deste poema: Vilma Oliveira

Offline)
Comentários2
Boa noite poeta! O autor estabelece uma distinção clara entre o vinho que embriaga a razão e o vinho que resgata o amor. Enquanto o vinho mitológico é fuga, o vinho deste Deus é restauração e presença espiritual. A quarta estrofe utiliza a lógica bíblica do banquete para criar uma metáfora sobre a vida. Enquanto o mundo oferece prazeres imediatos que terminam em amargura (esconde o fel), a providência divina é apresentada como algo que melhora com o tempo e se revela plenamente no final. O autor destaca a soberania divina sobre a natureza. Ao dizer que não precisa de uva, nem de lagar, ele enfatiza que a transformação (água em vinho) é um ato de criação pura, e não um processo biológico lento. O encerramento eleva o tom poético ao identificar o próprio Deus como o Vinho antigo. A imagem do vinho derramado em cruz conecta diretamente a alegria da festa de Canaã ao sacrifício do Calvário, transformando o sangue em poesia e vida. O texto é uma celebração da abundância espiritual em contraste com a escassez do mundo material. Abraço poético.
Lindo, poeta!
Que você permaneça embriagado desse vinho que dá energia para continuar a jornada. O vinho servido por nosso irmão Jesus não nos dá ressaca!
Abraços
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