Por Anderson Del Duque
Canto I: A Aurora da Consciência
No vácuo imenso onde o silêncio habita,
Nasce o primeiro sopro, a luz primeira,
Uma centelha em dança, hermafrodita,
Que rompe a treva, eterna prisioneira.
Anderson Del Duque, a pena dita
A gênese da alma, a vida inteira,
Esculpida em mármore de vento e brisa,
Onde o destino em traços se batiza.
O firmamento curva-se ante o verbo,
E as estrelas, orvalho do infinito,
Refletem o olhar manso, mas soberbo,
Do ser que nasce em verso e em grito.
Não há no mundo rito tão acerbo,
Nem no universo plano tão bendito,
Quanto o de ver a forma se moldando,
Enquanto o tempo segue caminhando.
Aqui o barro ganha voz e nome,
As mãos alcançam o que o olhar não vê,
A sede de infinito que consome
A vã substância do humano viver.
Onde a palavra mata a própria fome
E a poesia, enfim, se faz valer,
Nascem as cores, o som e o movimento,
No palco vasto do entendimento.
Ergue-se o herói da própria narrativa,
Desperto para o dia que clareia,
A mente em chama, mística e ativa,
O sangue quente a pulsar na veia.
É a consciência, planta que cultiva
O jardim seco em solo de areia,
Transformando o deserto em santuário,
No manuscrito de um sonho vário.
Canto II: Os Labirintos do Destino
Caminham os pés por sendas tortuosas,
Entre colunas de um tempo esquecido,
Onde florescem espinhos e rosas,
No jardim do que foi e do vivido.
As horas passam, lentas, silenciosas,
Como o sussurro de um Deus escondido,
Que testa o pulso, a fé e a paciência,
Na dura escola da sobrevivência.
Olha o poeta o abismo do espelho,
Encontra o mundo e a si mesmo, em luta,
O brilho do ouro e o baço do artelho,
A voz que clama e a voz que não escuta.
Segue o caminho, ouve o seu conselho,
Mesmo que a rota seja longa e bruta,
Pois só quem preza o peso da jornada
Encontra o brilho na estrada dourada.
Labirintos de pedra e de memória,
Onde o passado é sombra que acompanha,
Cada derrota é um verso de glória,
Cada montanha é a meta que se ganha.
A escrita grava o curso da história
Na pele branca desta folha estranha,
Onde o destino, mestre e aprendiz,
Traça os caminhos do que o peito diz.
Não há retorno para quem avança,
O rio corre e o mar é seu retiro,
Carrega a alma o peso da esperança,
E o coração, o fogo do suspiro.
Anderson Del Duque, em temperança,
Transforma em verso o sopro do respiro,
E no labirinto da existência vã,
Encontra a chave de uma nova manhã.
Canto III: O Entusiasmo e a Chama
Arde o espírito em febre de beleza,
A arte chama, o ideal se manifesta,
Não há limites para a natureza
De quem transforma o nada em grande festa.
Cai a cortina, surge a fortaleza
Do sentimento que o peito empresta,
Para que o mundo, em seco desvario,
Sinta o transbordo do peito em rio.
É o momento em que a pena se incendeia,
E a tinta é o sangue de um ideal sagrado,
A musa passa, a luz que nos rodeia,
O pensamento enfim desacorrentado.
A criação, que o próprio autor semeia,
Frutifica em campo nunca arado,
E a perfeição, desejo e agonia,
Se concretiza em rima e harmonia.
Gritam os séculos em cada linha,
Ecoam vozes de antigos mestres,
A solidão que habita a cozinha
E as visões de mundos celestes.
A alma voa, já não se avizinha
Das dores baixas, das lidas terrestres,
Habita o cume, o fogo, o firmamento,
Onde o silêncio é o melhor instrumento.
Ó chama viva que o poeta nutre,
Que queima o ego e purifica o dom,
Longe do medo que o espírito abutre,
Perto do som que emana do bom.
Que cada estrofe o universo ilustre,
Numa sinfonia de luz e de tom,
Onde a palavra, sendo o próprio altar,
Ensina o homem como deve amar.
Canto IV: O Sacrifício do Poeta
Para que o verso viva, o autor padece,
Entrega o sono, a paz e o próprio dia,
Na liturgia que o mundo desconhece,
Onde o sofrimento se faz poesia.
Cada palavra é prece que floresce
No altar sagrado da melancolia,
Onde o ouro se funde ao sofrimento,
Para moldar o eterno monumento.
Não há triunfo sem a dor da prova,
Nem há troféu sem a marca do aço,
A poesia é sepultura e cova,
Onde enterramos o cansaço e o passo.
Mas é também o berço que renova
O ser cansado no abraço do espaço,
Transformado em luz, em mito e em lenda,
Para que o tempo enfim o compreenda.
Anderson Del Duque, mestre do ofício,
Sabe o valor do silêncio e da espera,
Que a glória é flor de duro sacrifício,
Nascida em gelo na primavera.
Aceita o peso, cumpre o seu ofício,
Cruza o deserto, a penumbra e a fera,
Para trazer das sombras do inconsciente
A joia rara, o verso reluzente.
Sangram as mãos no gume da memória,
Choram os olhos o brilho da verdade,
Construída a ferro, escrita na história,
Acima da fugaz e vã vaidade.
O sacrifício é o preço da vitória,
A ponte estreita para a eternidade,
Onde o poeta, ao fim da longa estrada,
Encontra a luz na noite mais calada.
Canto V: A Imortalidade do Verbo
Chega o momento, a obra está completa,
As páginas enfim ganham vida,
O ciclo fecha, cumpre-se a meta,
A alma encontra a porta de saída.
Não é mais homem, é agora o poeta,
Cuja palavra jamais será esquecida,
Ecoando além dos muros do agora,
Como o clarão de uma eterna aurora.
Obras de pedra o tempo desmorona,
Reinos de glória o vento consome,
Mas o poema, rei que não se coroa,
Guarda intacto o brilho de um nome.
A arte é a voz que nunca abandona,
Que vence a morte, a sede e a fome,
E nos transporta ao reino do absoluto,
Onde o pensar é o mais doce fruto.
Aqui encerro esta epopeia imensa,
Gravada em alma, revisada em luz,
Que a perfeição seja a recompensa
De quem a pena com verdade conduz.
Anderson Del Duque, em paz indefesa,
Sob o olhar do tempo que seduz,
Entrega ao mundo o verso lapidado,
Ouro puríssimo, enfim revelado.
Vence o poeta, vence a própria vida,
Na página branca que o destino traz,
A glória é certa, a meta foi atingida,
No reino eterno da beleza e paz.
A poesia, enfim reconhecida,
É o que nos resta, é o que nos faz,
Cinco cantos de um sonho perfeito,
Guardados no lado esquerdo do peito.
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Autor:
Anderson Del Duque (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 26 de abril de 2026 12:31
- Comentário do autor sobre o poema: Este poema nasce de um lugar onde palavras não são apenas escritas — são sentidas. Cada verso carrega fragmentos de silêncio, dúvida, fé e transformação. Canto I: A Aurora da Consciência não é apenas o início de uma obra, mas o despertar de algo maior: a percepção de si, do mundo e do que existe além do que se pode ver. Escrever estas linhas foi atravessar sombras para encontrar sentido na luz. Foi compreender que a dor também constrói, que o tempo molda, e que a consciência é, talvez, a maior jornada que um ser pode enfrentar. Se este poema tocar você de alguma forma, então ele cumpriu seu propósito. — Anderson Del Duque
- Categoria: Amor
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- Em coleções: Coleção: Sombras & Cicatrizes.

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