LIRISMO X POESIA
O lirismo é a seiva que nutre a poesia.
Sem lirismo,o perfume não exala
Das pétalas da flor,
Os romances se desfazem,
O sorriso não é um gesto acolhedor.
Sem lirismo, a Lua fica indiferente e fria,
Os sonhos esmaecem dia a dia,
O Sol não tem o mesmo resplendor.
Sem lirismo,não há brilho
No cintilar das estrelas,
E não há festa no cantar do passarinho
Nem aconchego para quem está no ninho.
Sem lirismo, o que resta é só melancolia,
A alma fica vazia…
Não há beleza no amor!
(Maria do Socorro Domingos)
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Autor:
Maria do Socorro Domingos (
Offline) - Publicado: 25 de abril de 2026 21:35
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 41
- Usuários favoritos deste poema: Sinvaldo de Souza Gino, Vilma Oliveira

Offline)
Comentários1
Boa noite poetisa Socorro! A autora utiliza a anáfora (Sem lirismo...) para construir um inventário de perdas. O texto não define o que o lirismo é em termos técnicos, mas o que a ausência dele provoca, estabelecendo uma relação de dependência entre a sensibilidade humana e o valor estético do mundo. A metáfora da seiva é central. Assim como a seiva transporta nutrientes para a planta, o lirismo é apresentado como a substância que permite a manifestação do ser (a flor só é plenamente flor se exalar perfume). Sem isso, as coisas tornam-se cascas vazias. O poema atribui estados emocionais a elementos cósmicos (Lua fria, Sol sem resplendor). É o conceito de falácia patética, onde o mundo exterior é apenas um reflexo do deserto interior do eu lírico. O fechamento associa a falta de lirismo à vacuidade da alma. A tese é clara: a realidade objetiva, isolada da emoção e da subjetividade, é insuficiente e meramente melancólica. Parabéns pelo poema! Abraço poético.
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