Escrevo porque tenho ódio,
sabemos que a raiva é curta e grossa.
Mas dela e nela há oportunidades —
a vida é curta demais para não aproveitá-las.
Muito ignorante,
a raiva funciona como geratriz,
incubadora de problemas.
Mas quem não sente a combatividade em si,
represa também o seu próprio desejo.
Não é culto —
o excesso já tem autoria:
deles.
O desejo não depende da agressividade,
mas, sem contato com essa força,
desaparece a capacidade de sentir e reagir ao mundo.
Para não recair em pura reatividade,
sofistico esse instinto.
Me empenho,
mergulho na “origem” da raiva, do ódio e da paixão —
tensão represada.
Não há origem fixa:
há movimento.
Sustento a pressão nas comportas,
conduzo à turbina no limiar do giro,
retenho energia no reservatório —
fora do equilíbrio, prestes a dissipar,
abro o desnível que me atravessa e deixo correr
para me movimentar, escrever, fazer força física e de pensamento.
A sabedoria ordinária:
o limiar —
a força
não explode,
nem adormece,
mobiliza.
Suryah Silva
20/04/2026
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Autor:
Orquídea Peluda (
Offline) - Publicado: 25 de abril de 2026 12:27
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 3

Offline)
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