Maré

Noétrico

Teu beijo —
mar guardado
em minha boca.

Abro o sentido,
como janelas ao vento
para ver se voltas.

Tu respondes
em maré baixa:
uma palavra.

No silêncio
entre tuas sílabas:
o beijo
ainda suspira
sal.

  • Autor: Noétrico (Offline Offline)
  • Publicado: 25 de abril de 2026 12:10
  • Comentário do autor sobre o poema: Este poema é um retrato das relações líquidas: esse movimento constante de fluxo e refluxo onde outrem nunca permanece totalmente. É sobre o esforço de tentar segurar o que não é pra ficar e a percepção de que, nessa brevidade, o que resta não é a presença, mas apenas o gosto residual do que passou. E a vida segue.
  • Categoria: Reflexão
  • Visualizações: 20
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