No sétimo dia, ao findar a criação,
Deus olhou a Terra com satisfação.
Pintou céus e mares, montanhas e flor,
E ao homem deu-lhe um sopro de amor.
Mas que sopro foi esse, tão cheio de dor?
Gerou ganância, mentira e rancor.
O barro ganhou voz, mas perdeu compaixão,
Trocou o perdão pela maldade e destruição.
Que erro, certamente, foi criar tal ser,
Capaz de sorrir e logo ofender.
Com olhos tão cheios de ambição cega,
Passou por cima da alma que ora nega.
Ergueu torres, mas tombou valores,
Semeou ódio em campos de flores.
Pôs preço em vidas, cor em direitos,
Julga quem ama, com pesos e preceitos.
Guerras sagradas em nome do Céu,
Mas sangue escorre sob o mesmo véu.
A Terra ferida, clama em silêncio, sacrifícios!
Enquanto o homem se afunda em seus vícios.
E Deus, quem sabe, hoje chora calado,
Vendo o que fez, tão arrependido e cansado.
Talvez se pergunte, com imenso pesar:
"Por que lhes dei o dom de pensar?"
Quem dera voltar no tempo e rasgar
O molde de barro antes de soprar.
Deixar o mundo sem donos, sem reis,
Apenas o vento, as águas e bons seres.
Mas o erro está feito, e pulsa, e se espalha.
Na guerra, no riso que fere, na falha.
E nós, criação que se crê tão divina,
Somos a praga que o próprio céu contamina.
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Autor:
Brendon Leão (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 24 de abril de 2026 06:54
- Categoria: SociopolÃtico
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Offline)
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