não vejo um copo meio vazio
simplesmente não vejo nada
nada que me remeta ao desejo ardente de sentir
nada que me faça continuar desejando
nada que me permita mergulhar
mas mergulho em navalhas de pontas afiadas
em vidro quebrado
e em sangue
vermelho…
dizem que é a cor do amor
e o que é o amor?
cuidado
colo
presença constante
tudo está emoldurado numa prateleira na estante
apenas observo
o acervo vermelho
ácido e podre
resistível e amargo
seco
sem cor…
é vermelho
mas não é amor
apenas dor
estante é alta demais
prateleira distante demais
submersa em sangue seco e sem vida
sem salva vidas
sem amar
sem resgatar
submersa em dor e confusão
em apego e solidão
submersa no escuro
no turvo
sem olhar
no olhar de cima
ou para cima
apenas… sem volta
mas, pra que voltar?
a dor é árdua
ninguém vai puxar.
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Autor:
Catarina (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 23 de abril de 2026 22:20
- Comentário do autor sobre o poema: Crueldade do sentir.
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 17
- Usuários favoritos deste poema: Lauraa, Vilma Oliveira
- Em coleções: Interno..

Offline)
Comentários2
Ficou top
Obrigada!
Eu absolutamente amei seu poema! Simples mas muito contrastante na questão de profundidade, rico em imagens sensoriais, realmente admirável! Amo esse tipo de poema, mas no seu, essa parte em específico me tocou muito: "apenas observo
o acervo vermelho
ácido e podre
resistível e amargo
seco
sem cor…
é vermelho
mas não é amor
apenas dor"
Você consegue transferir esse sentimento de um jeito que impressiona, meus honestos parabéns!
Que felicidade em ser agraciada com um comentário tão lindo, Laura!! Muito obrigada! ??
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