Aviso de ausência de Vilma Oliveira
YES
YES
Tu és o toque divinal de outras esferas
Essa luz a cintilar os sonhos meus...
A semente que floresceu na primavera
Tu hás de ser a chama desse adeus!
Tu és a odisseia sem volta em mim
Todos os caminhos que já percorri
A viagem que fiz não tem mais fim...
Nas cores do firmamento que não vi!
Tu és a dança dos corpos já cansados,
A vagar em sombra lado a lado...
Enquanto não chegar a eternidade;
Eu sou a imagem pura já vivida,
Tu hás de me amar de vida em vida...
Haveremos de enganar essa saudade!
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Autor:
Vilma Oliveira (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 23 de abril de 2026 20:41
- Comentário do autor sobre o poema: Breve análise deste meu soneto: Você define o ser amado como a "chama desse adeus". Isso sugere que a despedida não é cinza ou escuridão, mas algo que queima e ilumina. A "semente que floresceu" mostra que, apesar do cansaço, algo de vital permaneceu e deu frutos. Ao dizer que o outro é uma "odisseia sem volta", você transforma o relacionamento em um estado permanente do ser. A viagem "não tem mais fim" porque não acontece mais no espaço geográfico, mas no "firmamento que não vi" — ou seja, no plano da alma e do metafísico. A imagem da "dança dos corpos já cansados" que vagam "lado a lado" é de uma beleza melancólica e reconfortante. Há uma aceitação da fragilidade física, mas uma resistência espiritual. Enquanto a eternidade não chega, o amor se manifesta como companhia constante na penumbra. O desfecho é uma afirmação de imortalidade. Ao prometer amar "de vida em vida", você quebra o ciclo linear do tempo. O verso final, "Haveremos de enganar essa saudade!", é magistral: a saudade, que antes era um "espelho" ou um "pranto", agora é vista como algo que pode ser ludibriado pela presença eterna da alma do outro dentro de si. Você encerra esta sequência com uma nota de triunfo metafísico. O eu lírico não está mais "pobrezinho" ou "moribundo"; ele se reconhece como uma "imagem pura" que encontrou um amor capaz de atravessar as fronteiras da existência.
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 45
- Em coleções: Sonetos.

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