Havia um sol que ainda não era dia,
uma manhã guardada em segredo,
um nome que o vento ensaiava dizer
mas o silêncio levou primeiro.
Havia um começo em forma de promessa,
leve como o que ainda não tem chão,
mas o tempo, esse rio sem aviso,
virou antes da estação.
E eu fiquei…
com as mãos cheias de ausência,
como quem tenta segurar o invisível
e aprende o peso do que não ficou.
A casa ainda era a mesma,
mas algo tinha ido embora dela,
como se uma luz apagasse por dentro
sem que ninguém visse a vela.
Depois disso vieram outras quedas,
portas que não voltaram a abrir,
nomes que viraram eco distante,
dias difíceis de existir.
Foi quando o mundo ficou em cinza,
e até respirar parecia demais,
como se a vida pedisse coragem
de quem já não tinha mais.
Mas…
no fundo mais fundo do fundo,
onde quase não nasce som,
algo ainda sussurra baixo:
“você ainda está aqui… então…”
Hoje eu não digo que está tudo bem,
nem que a dor deixou de existir,
mas aprendi que mesmo sem respostas
ainda há um jeito de seguir.
Porque há perdas que viram silêncio…
e há silêncios que viram voz.
E enquanto eu caminho, mesmo em pedaços,
ainda há um pouco de mim em nós.
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Autor:
Evenly Adriane (
Offline) - Publicado: 22 de abril de 2026 23:05
- Categoria: Triste
- Visualizações: 3

Offline)
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