Sacadas vazias

Antonio Olivio

 

O sol irrompe no horizonte
Vencendo o giro espetacular da terra 
E nos dá um novo dia
A luz entra sorrateira
Pousa deslumbrante na sua sacada
Mas você,  nao está lá...

As maritácas em bando
Algazarram na copa das árvores 
Alvorecem cheias de infinitas vontades
Cantam e contam suas histórias 
Inauguram a manhã 
E te esperam surgir na sacada
Mas você,  nao está lá

Muitas pessoas foram abduzidas
Por janelas virtuais 
Outros corações estao doentes
De inquietudes pequenas
As maletas de drogas estão cheias
Enquanto as cidades ficaram repletas 
De sacadas vazias.

Antonio Olívio

  • Autor: Antonio Olivio (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 19 de abril de 2026 21:24
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 4
Comentários +

Comentários2

  • Vilma Oliveira

    Boa noite poeta! A primeira e a segunda estrofes descrevem o amanhecer (o sol e as maritacas) com um lirismo vibrante. A natureza cumpre seu papel, é exuberante e inaugura a manhã, mas o ser humano não é mais espectador desse ciclo. A repetição da frase: Mas você, não está lá, cria um ritmo de decepção. Ela enfatiza que, embora o mundo físico continue oferecendo beleza e vida, o indivíduo está ausente de sua própria realidade. O poema utiliza uma metáfora forte ao dizer que as pessoas foram abduzidas por janelas virtuais. O termo sugere uma perda de vontade própria; as telas não são apenas ferramentas, mas portais que sequestram a presença física e a atenção. A última estrofe conecta o isolamento digital ao adoecimento mental. O contraste entre as inquietudes pequenas, as maletas de drogas (referência à medicalização excessiva) e as cidades repletas de sacadas vazias pinta o retrato de uma sociedade que tem infraestrutura (a sacada), mas perdeu a capacidade de contemplação e conexão. Em resumo, é um texto que lamenta a substituição do sol e do canto dos pássaros pelo brilho artificial das telas, resultando em uma profunda solidão urbana. Parabéns pelo poema! Saudações poéticas.

    • Antonio Olivio

      Nunca tive um poema analisado com tamanha profundidade e sensibilidade !!
      Fiquei muito feliz com o comentário pertinente e generoso!!

      De fato o poema surge de uma certa desesperança, da observação de que a humanidade vai deixando lentamente de lado a sua principal capacidade ( interagir produtivamente consigo mesma e com o meio ambiente). Muito mais do que degradar a natureza, estamos agindo como se nao fossemos parte dela.
      Tenho andado nas ruas das cidades e ficado impressionado com a beleza dos prédios e casas. Os engenheiros Viraram as casas para o nascente e os homens e mulheres estao ausentes das suas sacadas...
      O mais belo que podemos fazer é escrever versos para mostrar a paisagem que vemos, nós poetas, da sacada de da nossa alma.

      Obrigado pela deferência!!!

      Obrigado

    • Freddie Seixas

      Profundo



    Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.