Não esqueci aquele olhar
intenso —
em brasa
em poucos segundos
prendeu o meu
como se o tempo
errasse o passo
o chão cedeu
e nessa erupção
na suspensão do instante
matéria bastante
para um mundo inteiro
dois corpos
reconhecendo-se antes do nome
um risco de luz
abrindo a madrugada por dentro
ela passou
sem sorriso
sem palavra
sem gesto
e ainda assim
não faltou nada
porque tudo
já tinha acontecido
naquele olhar
-
Autor:
Oswaldo Jesus Motta (
Offline) - Publicado: 18 de abril de 2026 18:27
- Categoria: Amor
- Visualizações: 17

Offline)
Comentários3
Muito bonito. Obrigada por compartilhar.
Boa Noite, poeta Osvaldo Motta! Excelente fim de semana!
Ótima tarde e um excelente final de semana, poeta! Gratidão pelo carinho! Abraços poéticos.
Olá poeta! Boa noite! O poema descreve um encontro fortuito que acontece inteiramente no plano visual. O autor utiliza imagens de impacto geológico e físico (em brasa, o chão cedeu, erupção) para mostrar que, embora o evento tenha durado poucos segundos, sua força foi devastadora e criadora, como o surgimento de um novo mundo. O trecho: como se o tempo errasse o passo, é a chave da obra. O autor sugere que o amor (ou o desejo) tem o poder de interromper a cronologia lógica. Naquele breve segundo, o tempo para, e o que é efêmero se torna eterno (matéria bastante para um mundo inteiro). A última estrofe constrói um paradoxo belíssimo: Ela passou sem sorriso, sem palavra, sem gesto. Contudo, não faltou nada. Isso reforça a ideia de que a conexão humana profunda não depende de convenções sociais ou diálogos, mas de um reconhecimento instintivo que ocorre antes do nome. Versos Curtos: Criam uma leitura vertical e rápida, simulando o batimento cardíaco acelerado ou o risco de luz mencionado. O foco está na imagem poética e na precisão das palavras, característica da lírica moderna que busca a economia de meios para atingir o máximo de sentido. Saudações poéticas.
Um final de semana de luz e paz. Muito obrigado pelas palavras, poeta. Abraços poéticos.
Algumas poesias tem o dom de traduzir o invisível , aquilo que toca sem toque, mas que cala fundo na alma, as suas fazem isso comigo! Muito obrigada poeta por essa emoção, por essas borboletas que esvoaçam ao te ler!
Abraço,
ania
Boa noite, poeta! Luz e paz! Saber que meus versos encontram abrigo em sua sensibilidade e despertam essas "borboletas" tão delicadas é uma das formas mais bonitas de permanência da poesia. Afinal, escrever só faz sentido quando alguém, do outro lado, sente o invisível pulsar.
Obrigado pelo carinho, pela leitura generosa e pela alma bela que existe em suas palavras.
Abraço afetuoso.
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