157 - CHAMA-SE LIVRO MEU FILHO

Arthur Santos

CHAMA-SE LIVRO MEU FILHO

chama-se livro meu filho

não é nenhum trocadilho

pega nele com cuidado

está sempre ligado

tem jogos histórias

e infinitas memórias

chama-se livro meu filho.

 

tem contraste e brilho

que não te cansam os olhos

tem letras e palavras aos molhos

e até tem pessoas e animais

de fazer inveja aos teus pais

chama-se livro meu filho.

 

a capa é como um caixilho

abres e não precisas instalar

é só as páginas passar

para continuares a jogar

sem necessidade de clicar

chama-se livro meu filho.

 

e rejubila de alegria

não gasta bateria

não encrava nem te pede visa

e de password não precisa

chama-se livro meu filho.

Comentários +

Comentários1

  • Vilma Oliveira

    Boa noite poeta! Este poema é uma exaltação criativa do livro físico, apresentada como um contraponto ao mundo digital. O autor utiliza o vocabulário da tecnologia (bateria, instalar, password, clicar) para mostrar que o livro é, na verdade, uma máquina superior: ele nunca trava, não cansa a vista e oferece acesso imediato à imaginação. O tom é pedagógico e afetuoso, reforçando que a leitura é uma forma de jogo e descoberta que não depende de telas ou cartões de crédito. É uma defesa bem-humorada da perenidade do papel diante da efemeridade dos dispositivos eletrônicos. Parabéns por seu poema! Abraço poético.



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