ATITUDE

G. Mirabeau

Agonia doce,

Brota da terra as almas do Silício,

Mães de meu suplício!

Brota da Terra a alma das esferas.

Bota na terra teus artifícios...

 

Agonia triste,

Brota dos céus os anjos!

E anjos não existem...?

(E em não serem...

Anjos em quê consistem?...)

E venham logo mortos...

E venham logo tristes...

 

Boca da terra,

O fogo forte morte viva em sua goela,

O manto roto podre de fé já nos congela

Entre a mentira e a arte:

Pós do mal da terra!

 

Calma dos céus,

O céu estranho curto claro escuro reto

É abstrato estranho morto quase certo

Em uma vida azul vermelho amplo deserto!...

 

Agonia morta,

Não somos mais que o trinco de uma porta.

Não somos mais que o grão da inquietude. 

Uma atitude...

Da terra morta!

  • Autor: G. Mirabeau (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 16 de abril de 2026 10:56
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 9
Comentários +

Comentários2

  • Shmuel

    Bonito e profundo poema.

    Abraços

    • G. Mirabeau

      Obrigado pela apreciação e comentário. Um abraço.

    • Vilma Oliveira

      Olá poeta! Boa noite! O autor utiliza elementos como Silício e esferas para descrever as almas, sugerindo algo frio, mineral ou artificial. A espiritualidade é questionada (Anjos não existem?), transformando o sagrado em algo abstrato, estranho e, por fim, morto. A Boca da terra com sua goela de fogo evoca uma imagem saturnina: a terra que gera a vida é a mesma que a consome de forma cruel. Não há acolhimento no solo, apenas o pó do mal. O céu não é um refúgio de paz, mas um amplo deserto de cores conflitantes (azul e vermelho). A existência humana é reduzida à insignificância total: não somos o dono da casa, nem a porta, somos apenas o trinco — um detalhe mecânico e funcional sem autonomia. O uso de paradoxos como: curto claro escuro reto e morte viva, reforça a confusão mental e a agonia de quem tenta entender uma realidade que não faz sentido lógico. O manto roto de fé mostra uma espiritualidade que já não consegue mais aquecer ou proteger o indivíduo. O poema encara a vida como uma atitude da terra morta. É uma visão niilista onde o ser humano é apenas um grão de inquietude em um universo vasto e indiferente. Parabéns pelo poema! Saudações poéticas.

      • G. Mirabeau

        Obrigado pela linda e corretíssima análise do poema. É sobre as fraquezas, os paradoxos, a insignificância (mesmo dentro da beleza da vida em si), a agonia do ser humano. O trinco é um simbolismo de nossa dependência e falta de autonomia perante o Universo e este Deus que não consola...

        • G. Mirabeau

          Obrigado pela linda e corretíssima análise do poema. É sobre as fraquezas, os paradoxos, a iniquidade, a insignificância (mesmo dentro da beleza da vida em si), a agonia do ser humano. O trinco é um simbolismo de nossa dependência e falta de autonomia perante o Universo e este Deus que não consola...



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