Hoje o sol nasceu mais manso,
como quem sabe do adeus,
e o vento soprou mais lento,
sussurrando aos sonhos meus.
Deixei café sobre a mesa,
um bilhete entre os lençóis,
minhas memórias em brisa,
minhas palavras em sóis.
Revi no espelho da alma
os dias de escola, os portões,
a timidez nos corredores,
os silêncios dos corações.
Tantos olhares guardados,
amores que nunca ousei,
nomes escritos nos cadernos
que a coragem nunca alcancei.
As cartas que não enviei,
os beijos que nunca dei,
os sorrisos que calei
e os “te amo” que não sei.
Beijei em retratos antigos,
guardei sorrisos no peito,
perdoei todos os medos
e os erros que não têm jeito.
As frustrações que abracei
como quem abraça um irmão,
e as escolhas que doeram
e ficaram no coração.
Falei com os olhos fechados
tudo o que não pude dizer,
e abracei em pensamento
quem jamais irei esquecer.
Deixei meu riso nas praças,
meus passos no chão da estrada,
meu olhar no céu da infância,
meu tempo nas vitrolas.
Se alguém sentir minha falta,
não chore, apenas sorria.
Fui feito de amor contido,
e me despeço em poesia.
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Autor:
Brendon Leão (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 16 de abril de 2026 06:50
- Categoria: Gótico
- Visualizações: 3
- Usuários favoritos deste poema: Francisco Queiroz

Offline)
Comentários1
Parabéns Poeta, emocionante seu poema, um dos melhores que já li aqui, um abraço fraterno!
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