O ECO DO DESPREZO

Geralda Maria Pinheiro Figueiredo Pithon

O Eco do Desprezo 

Quando o Filho esquece O Caminho de Volta

Há uma dor que não consta nos manuais de medicina 

Uma ferida que não sangra para fora mas corrói por dentro 

O momento em que um filho decide que a mãe é um alvo para sua amargura é um fenômeno estranho e devastador 

Aquela mesma voz que um dia balbuciou as primeiras sílabas em busca de proteção

Agora usa as palavras como lâminas cortando o laço que o tempo e o sacrifício levaram anos para tecer

Distratar uma mãe é de certa forma cometer um erro contra a própria origem

Muitas vezes o filho envolto em suas próprias frustrações arrogância ou pressa do mundo moderno 

Enxerga nela um espelho de suas próprias fraquezas

Ele esquece que antes de ser "apenas" a mãe que ele julga ou ignora aquela mulher foi o solo onde ele criou raízes

Ela foi o silêncio que o ouviu quando ele ainda não sabia falar e as mãos que o sustentaram quando o mundo parecia grande demais

O desrespeito raramente nasce do nada ele costuma ser filho da ingratidão ou do esquecimento

O filho que maltrata que responde com rispidez ou que nega o afeto acredita piamente que é autossuficiente

Ele se sente grande demais para o colo que o abrigou

No entanto o tempo é um mestre severo
Ele corre sem pedir licença e um dia o silêncio que o filho impõe à mãe 

Hoje será o silêncio que ele encontrará no corredor vazio da própria consciência

As palavras ditas com aspereza não evaporam elas ficam suspensas no ar pesando sobre o coração de quem deu a vida

Uma mãe pode perdoar e quase sempre o faz num exercício quase divino de resiliência  
mas o rastro da tristeza deixa marcas profundas 

Tratar mal uma mãe é ignorar que a vida é um ciclo e que a maior pobreza de um ser humano 

É a falta de memória sobre quem o amou quando ele ainda não tinha nada a oferecer

Que haja tempo para o arrependimento

Que o filho perceba que a autoridade de uma mãe não vem da hierarquia mas do amor incondicional 

O único que sobrevive às piores tempestades 

Porque no final das contas o mundo pode nos aplaudir mas é para o abraço da mãe 

Que todos nós secretamente desejamos voltar quando a noite fica escura demais

E é lá na escuridão interna dos nossos corações que enxergamos que ela é nosso porto Seguro eterno 


Meu Lado Poético 
Geralda Figueiredo

  • Autor: Gel (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 15 de abril de 2026 21:32
  • Comentário do autor sobre o poema: Reflexão filial!
  • Categoria: Reflexão
  • Visualizações: 3


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