O POEMA DA RUA
A rua é a parte de fora da casa
aquela parte onde chove e faz frio
a casa de quem não tem casa
pode dar para o mar ou para um rio
pode ter ou não ter uma saída
pode-se viver nela dias e noites a fio
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Autor:
Arthur Santos (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 14 de abril de 2026 15:27
- Categoria: Não classificado
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Comentários1
Olá poeta! Boa noite! Ao definir a rua como a casa de quem não tem casa, o autor escancara a contradição da exclusão social. A rua, que deveria ser o oposto do lar (pelo frio e pela chuva), torna-se o único refúgio possível para o invisível. Diferente de uma casa real, que tem paredes e teto, essa casa-rua é aberta aos elementos (onde chove e faz frio) e à natureza (mar ou rio). Essa amplitude não representa liberdade, mas sim a total exposição e vulnerabilidade do indivíduo. O verso pode ter ou não ter uma saída, sugere o caráter cíclico da pobreza. Para muitos, a rua não é um estado temporário, mas um beco sem saída existencial. O final, viver nela dias e noites a fio, remove o caráter de passagem da rua. Ela deixa de ser o caminho para algum lugar e passa a ser o próprio lugar onde a vida acontece (ou estagna). É um texto que humaniza a estatística, transformando a calçada em um cômodo gelado e infinito. Parabéns pelo poema! Saudações poéticas.
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