Mulher, és jardim suspenso
Entre as mais belas das flores
Fonte de geração, de amor
Gratidão das entranhas, primores
És vida que arrisca a vida
Gerando vida para o mundo florir
Trazes no ventre o universo
E no peito, o pulsar do porvir
Mulher, és o perfume raro
Que dá sentido ao existir
És raiz, caule, pétala e espinho
És força que aprende a parir
Carregas o tempo nos olhos
E a eternidade em teu gerar
És verso primeiro do homem
És casa onde o amor vai morar
Sem ti, o chão seria estéril
Sem ti, o mundo não tem cor
Mulher, és mâe do verbo que se fez carne
És a própria grafia do amor
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Autor:
GINO (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 13 de abril de 2026 12:00
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 14
- Usuários favoritos deste poema: Francisco Queiroz, Sinvaldo de Souza Gino, Vilma Oliveira

Offline)
Comentários1
Olá poeta! Boa noite! O poema utiliza o campo semântico das plantas para descrever a mulher (jardim suspenso, flores, raiz, pétala). Essa escolha reforça a ideia da mulher como o próprio ciclo da vida: ela não é apenas a flor (beleza), mas também a raiz (sustentação) e o espinho (proteção/dor). O termo jardim suspenso, evoca algo raro e majestoso, como uma das maravilhas do mundo antigo. És vida que arrisca a vida: Esta antítese resume a coragem intrínseca à maternidade, onde a doação de si permite a existência do outro. O poema utiliza referências teológicas para conferir autoridade e profundidade à mulher: Mãe do verbo que se fez carne: Esta é uma clara alusão cristã ao mistério da encarnação. Ao usar essa frase, o autor coloca a mulher no centro da história da salvação e da criação linguística (grafia do amor). A mulher é apresentada como a antítese do estéril; sem ela, o mundo não teria substância nem cor. O poema é construído em quadras (estrofes de quatro versos) com um ritmo fluido que sugere o pulsar mencionado no texto. A linguagem é reverente e utiliza muitos substantivos abstratos (gratidão, eternidade, porvir, existência) para construir uma imagem idealizada e poderosa. É uma ode à potência geradora feminina, que equilibra a delicadeza da flor com a força brutal da sobrevivência e da criação. Saudações poéticas.
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