DELÍRIOS DA VAIDADE

Lucien Vieira

(Lucien Vieira)

Há desescutação 
nas ruas e avenidas — 
no mundo inteiro. 

Quero do meu jeito, João, 
mas que seja 
do exato jeito dessa noção. 

Depois, se houver tempo, 
dou-me um banho 
com o cheiro
de sei lá o quê — 
que me mostre o chão. 

Dinheiro, cadê? 
Só quero os muitos fetiches do dinheiro!

Corre, corre agora; 
esconde, 
inibe 
essa tal imperfeição.

Há vestígios de enxerto
sob estes desencantos,
que dão pistas 
de tua crua despersonalidade.

Criatura, te alui:
a tua ânsia de ser bonita
a desbonitou. 

A tua verdade — é sério —
seria 
um delírio da vaidade? 

Que farra louca 
te inspirou? 

  • Autor: Lucien Vieira (Online Online)
  • Publicado: 12 de abril de 2026 08:27
  • Comentário do autor sobre o poema: Poesia lírico-crítica com viés filosófico-social. ... é um poema sobre como a vaidade, quando absolutizada, não embeleza — desfigura o ser.
  • Categoria: Sociopolítico
  • Visualizações: 2


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