A Queda da Razão

Luana Santahelena


Tudo começa no olhar,
mas não no olhar que vê —
no olhar que reconhece.
-
Há, nesse instante,
uma ruptura silenciosa:
o pensamento recua,
a linguagem hesita,
e o corpo assume
aquilo que sempre soube.
-
Os olhos descem
como se obedecessem
a uma lei anterior à consciência.
-
A boca torna-se destino.
-
E o silêncio —
longe de vazio —
é plenitude insuportável.
-
Pois nele,
o ser humano se desfaz
de sua invenção mais frágil:
o controle.
-
O beijo não é gesto.
-
É acontecimento.
-
É o ponto onde o indivíduo termina
e algo mais antigo começa.
-
Ali,
não há moral,
não há discurso,
não há identidade —
-
apenas impulso organizado em desejo.
-
E talvez seja por isso
que o beijo nos assusta:
-
porque nele
não nos expressamos —
-
nos revelamos.


A razão muitas vezes
nos faz enxergar com suas
duras palavras...
mas não queremos ver
talvez seja porquê os
propósitos são diferentes.
Egoísmo, talvez sentir
que tudo pode dar certo pra
aquela pessoa, quem sabe!
O sofrimento pode não aparecer.
Vem na cabeça daqueles que apenas
souberam sentir dores na pele
não na alma.
Essa dor só o tempo
é capaz de ensinar.


Se eu cair, que seja leve,
que não seja uma queda literal.
Se eu cair, que seja doce,
para que eu possa rir depois.
Depois de tudo...
?Tenho tido sonhos incômodos;
seria um sinal?
?Se eu cair,
que a sorte não me desampare.
Sempre contei com a sorte,
sempre contei com você.
?P.S.: Estou em queda livre!
By: Shimuel

  • Autores: Bulaxa Kebrada (Pseudónimo, Rosangela Rodrigues de Oliveira, Shmuel
  • Visível: Todos os versos
  • Publicado: 11 de abril de 2026 10:35
  • Limite: 6 estrofes
  • Convidados: Público (qualquer usuário pode participar)
  • Comentário do autor sobre o poema: Tô passando aqui com segundas intenções poéticas (as melhores, claro). Publiquei este poema aqui chamado “A Queda da Razão” — e digamos que ele começa comportado… mas rapidamente perde qualquer noção de controle É sobre aquele momento em que o olhar entrega, o pensamento falha e… bem… o instinto assume o palco sem pedir autorização. E é exatamente aí que você entra. Quero te convidar pra invadir esse poema comigo — sem cerimônia, sem freio, sem razão. A proposta é simples: você chega, sente o clima, e deixa sua parte acontecer. Pode continuar, quebrar, intensificar… ou bagunçar tudo (o que, sinceramente, combina muito com o tema). Prometo que não julgo — até porque o poema também não julga ninguém Topa cair comigo nessa pequena ruína poética? Te espero aqui… ou melhor, o poema espera. E ele é bem persuasivo. — Luana
  • Categoria: Não classificado
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  • Em coleções: Poemas Mesclados.