A Queda da Razão

Luana Santahelena


Tudo começa no olhar,
mas não no olhar que vê —
no olhar que reconhece.
-
Há, nesse instante,
uma ruptura silenciosa:
o pensamento recua,
a linguagem hesita,
e o corpo assume
aquilo que sempre soube.
-
Os olhos descem
como se obedecessem
a uma lei anterior à consciência.
-
A boca torna-se destino.
-
E o silêncio —
longe de vazio —
é plenitude insuportável.
-
Pois nele,
o ser humano se desfaz
de sua invenção mais frágil:
o controle.
-
O beijo não é gesto.
-
É acontecimento.
-
É o ponto onde o indivíduo termina
e algo mais antigo começa.
-
Ali,
não há moral,
não há discurso,
não há identidade —
-
apenas impulso organizado em desejo.
-
E talvez seja por isso
que o beijo nos assusta:
-
porque nele
não nos expressamos —
-
nos revelamos.


A razão muitas vezes
nos faz enxergar com suas
duras palavras...
mas não queremos ver
talvez seja porquê os
propósitos são diferentes.
Egoísmo, talvez sentir
que tudo pode dar certo pra
aquela pessoa, quem sabe!
O sofrimento pode não aparecer.
Vem na cabeça daqueles que apenas
souberam sentir dores na pele
não na alma.
Essa dor só o tempo
é capaz de ensinar.


Se eu cair, que seja leve,
que não seja uma queda literal.
Se eu cair, que seja doce,
para que eu possa rir depois.
Depois de tudo...
?Tenho tido sonhos incômodos;
seria um sinal?
?Se eu cair,
que a sorte não me desampare.
Sempre contei com a sorte,
sempre contei com você.
?P.S.: Estou em queda livre!
By: Shimuel


E, ainda assim,
há algo que insiste
em permanecer —
mesmo quando tudo em nós
parece ruir.
Uma centelha mínima,
quase invisível,
que não se explica,
apenas resiste.
Talvez seja isso
que nos mantém de pé
mesmo em queda livre:
não a certeza do chão,
mas a coragem
de continuar caindo.
Porque cair, às vezes,
é só outra forma
de aprender o peso
do próprio existir.
E no intervalo
entre o medo e o impacto,
há um instante raro —
onde o coração desacelera,
a alma se despe
e, por um segundo eterno,
tudo faz sentido…
ou deixa de precisar fazer.
E se houver mãos
no meio do abismo,
que elas não me salvem —
que apenas me encontrem.
Porque, no fim,
não é sobre não cair…
é sobre não cair sozinho.


Pele suave,
Lábios de veludos!!
Teu gosto, seu cheiro
Intenso Perfume…
Seu corpo sobre o meu
Encaixe perfeito!!
Quero-te todos os dias
Queira-me!
Nas noites frias
Aqueça o meu gélido coração.
Que sabe assim ele volta a ter emoção...
Pois é um tédio querer só a razão…


Não diga nada ainda.
-
Há uma música
antes da música,
um tremor leve
que não pertence ao ar
mas ao que o ar anuncia.
-
Eu te olho
como quem suspeita da própria queda.
-
Porque sei —
ainda que finja ignorar —
que tudo o que fui
é uma forma provisória
de evitar este momento.
-
Essa borda.
-
Onde a linguagem recua
como o mar antes de romper.
-
E ficamos, você e eu,
numa tensão invisível,
como duas chamas
que ainda não sabem
se vão se unir
ou se consumir.
-
Mas algo já decidiu.
-
Não na razão,
não na palavra,
mas nessa zona secreta
onde o desejo
não pede licença.
-
E então acontece:
-
não uma escolha,
não um ato,
-
mas uma entrega
que sempre esteve acontecendo
antes mesmo de a entendermos.

  • Autores: Bulaxa Kebrada (Pseudónimo, Rosangela Rodrigues de Oliveira, Shmuel, Stiviandra Lume 🥺, C.araujo, Sezar Kosta
  • Visível: Todos os versos
  • Finalizado: 12 de abril de 2026 20:50
  • Limite: 6 estrofes
  • Convidados: Público (qualquer usuário pode participar)
  • Comentário do autor sobre o poema: Tô passando aqui com segundas intenções poéticas (as melhores, claro). Publiquei este poema aqui chamado “A Queda da Razão” — e digamos que ele começa comportado… mas rapidamente perde qualquer noção de controle É sobre aquele momento em que o olhar entrega, o pensamento falha e… bem… o instinto assume o palco sem pedir autorização. E é exatamente aí que você entra. Quero te convidar pra invadir esse poema comigo — sem cerimônia, sem freio, sem razão. A proposta é simples: você chega, sente o clima, e deixa sua parte acontecer. Pode continuar, quebrar, intensificar… ou bagunçar tudo (o que, sinceramente, combina muito com o tema). Prometo que não julgo — até porque o poema também não julga ninguém Topa cair comigo nessa pequena ruína poética? Te espero aqui… ou melhor, o poema espera. E ele é bem persuasivo. — Luana
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 13
  • Usuários favoritos deste poema: Sezar Kosta
  • Em coleções: Poemas Mesclados.


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