PENSAMENTO

Maria do Socorro Domingos

PENSAMENTO

Eu corro solto na imensidão... Com o vento,
Eu sou ternura, sou paixão e sou lamento,
Sou a saudade de alguém que foi embora.

A esperança... O sorriso... A ilusão...
A teimosia... A revolta... A invenção,
Sinto alegria ao ver os raios da aurora.

Sou liberdade! Sou um grito que desperta,
Os sentimentos e uma nova descoberta
Que impulsiona o bater de um coração.

O equilíbrio... A lealdade... A intenção
O entusiasmo... A humildade... A razão
Necessidade de agir... Eu sou a hora!

Mesmo em silêncio eu escuto alguém que fala
No travesseiro, sou alguém que o sonho embala
E de quem cala eu costumo ser a voz.

Compreendido, sou amigo e comportado,
Arrependido eu fico desesperado,
Desrespeitado, muitas vezes sou feroz.

Eu sou os sonhos... As quimeras... Utopia,
Sou o suspiro de um ser que alguém queria
E está sozinho a contemplar o firmamento

Sou o sinal... O avanço... O caminho,
Sou o ideal. Do amor eu sou o ninho,
Contemplação...Reflexão... Sou pensamento!

                                  ***
Maria do Socorro   Domingos
.Recantodas Letras (Mariamaria João Pessoa PB )
Código do texto: T4174840 

Comentários +

Comentários2

  • Francisco Queiroz

    "A felicidade de sua vida depende da qualidade de seus pensamentos." – Marco Aurélio

    Bom dia, Poetisa. Linda poesia, graditão!

  • Vilma Oliveira

    Olá poetisa! Boa noite! A autora define o pensamento como algo que não conhece fronteiras (corro solto na imensidão). Ele é apresentado como uma força elementar que precede a ação: ele é a necessidade de agir e a própria hora. O texto é construído sobre opostos. O pensamento é, ao mesmo tempo, ternura e lamento, razão e paixão, comportado e feroz. Isso mostra a instabilidade da mente humana, que pode ser um refúgio ou uma armadilha. Na estrofe: E de quem cala eu costumo ser a voz, o autor toca em uma verdade profunda: o que pensamos é a nossa essência mais real, aquilo que muitas vezes não temos coragem de dizer em voz alta, mas que nos define no silêncio do travesseiro. O pensamento aqui não é passivo. Ele é o grito que desperta, o impulso e a invenção. O poema sugere que nada no mundo material existe sem que antes tenha sido uma quimera ou utopia na mente de alguém. O uso constante da primeira pessoa (Eu sou, Eu corro, Sinto) transforma o poema em um manifesto. É como se a própria mente estivesse se apresentando ao leitor, explicando sua complexidade e sua necessidade de ser compreendido. Parabéns pelo poema! Saudações poéticas.

    • Maria do Socorro Domingos

      Vilma, minha querida poetisa, suas palavras acrescentam enriquecimento ao meu poema, tantas definições que eu jamais saberia descrever!
      Muito obrigada, mais uma vez!



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