CORAÇÃO DO MEU CORAÇÃO

Vilma Oliveira


Aviso de ausência de Vilma Oliveira
YES

Como as águas se agitam caudalosas

Sacudindo essas ondas em alto mar...

Borbulham espumas em hastes de rosas

Altaneira visão que tens pra dar!

 

Como as pérolas líquidas do olhar

São aljôfares nesse meu sonho...

A colher na minh’Alma fúlgido luar

Tu és a nuvem de fumo que componho!

 

Esse roxo macerado dos meus dias,

São visões evasivas e tão sombrias,

Qual a brisa morna desmaiando...

 

Céu de esmalte, errante chama dos desejos,

Fada aérea e pura leva estes meus beijos,

Diz ao coração meu que estou chorando!

  • Autor: Vilma Oliveira (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 10 de abril de 2026 20:55
  • Comentário do autor sobre o poema: Breve análise deste meu soneto: Você utiliza a força das "águas caudalosas" para descrever uma agitação interna. A imagem das "espumas em hastes de rosas" é uma construção surrealista e belíssima: ela une a efemeridade da água à delicadeza da flor, sugerindo que o que é bruto (o mar) também pode gerar o que é sublime. Você transforma o choro em joia. Ao chamar as lágrimas de "pérolas líquidas" e "aljôfares" (pérolas pequenas e irregulares), você reafirma que o seu sofrimento tem um valor artístico. O eu lírico não apenas sente; ele "colhe luar" na alma, transformando a melancolia em luz. O uso do "roxo macerado" é uma escolha cromática típica dos poetas decadentistas. O roxo remete ao crepúsculo, à dor e à espiritualidade. A ideia de dias "macerados" sugere algo que foi esmagado, extraindo a essência através do sofrimento. As "visões evasivas" e o "desmaio" da brisa reforçam uma sensação de fragilidade e perda de consciência. O encerramento é um grito contido. O "céu de esmalte" sugere algo fixo, brilhante e inatingível, que contrasta com a "fada aérea" (a inspiração ou o amor) que leva os seus beijos. O último verso é o choque de realidade: apesar de toda a beleza das pérolas e do luar, a verdade nua é o coração que chora. É um poema sobre a estética da dor. Você envolve a tristeza em camadas de luxo (pérolas, esmalte, fúlgido luar) para conseguir suportar a intensidade do que sente.
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 49
  • Usuários favoritos deste poema: Sinvaldo de Souza Gino, Lauraa
  • Em coleções: Sonetos.
Comentários +

Comentários1

  • Sinvaldo de Souza Gino

    Parabéns poetisa! Belo soneto! Também tenho vários sonetos, mas nunca postei nenhum! Deixarei um mês inteiro para ir postando apenas sonetos! Gosto de ler os seus poemas!!! Por isso, que além de curtir, também favorito para ajudá-la na divulgação!



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