Aves 1889

julianahoffmannliska

Aves riscam o céu à beira-mar,
livres como o tempo que não pede licença.
Um casal de idosos caminha lento,
mãos dadas como quem já venceu as horas.

E eu observo…
como se a vida passasse diante de mim
em silêncio,
como ondas que vêm e vão sem lembrar meu nome.

No espelho, porém,
não reconheço o agora —
vejo a juventude intacta,
presa em algum verão que não terminou.

Eu não estou aqui.
Meu corpo se perde neste presente estranho,
mas minha alma…
minha alma repousa em 1889.

Lá, onde cartas eram eternas,
onde o amor tinha perfume de espera,
e os dias não corriam —
apenas existiam.

As aves ainda voam,
o mar ainda canta,
e o casal segue seu caminho…

Mas eu,
eu caminho em outro tempo,
onde meu coração nunca aprendeu
a dizer adeus. 



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