ninguém sabe ao certo
quando começou...
talvez nem tenha havido
começo
apenas um impulso
uma ruptura silenciosa
na dobra do tempo...
desde então, segue
não deixa marcas
não cobra caminhos
não altera o curso de nada...
só passa...
pelas paredes finas
das casas adormecidas
pelos corpos que se aquecem
uns aos outros
pelas palavras ditas
à meia-luz
onde alguém acredita ter sido
compreendido...
passa... atravessa...
intacto e intocado.
há quem chame isso
liberdade
mas liberdade, às vezes, é só outro
nome
para a
impossibilidade
de ficar...
e ficar exige peso
exige entrega
exige o risco de ser ferido
e exite também
o milagre de
ser
reconhecido
mas ele não pesa
não fere
não é reconhecido
e assim,
atravessa o tempo
como quem
nunca chegou
a lugar algum...
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Autor:
Wander Motta (
Offline) - Publicado: 10 de abril de 2026 10:09
- Comentário do autor sobre o poema: Um sopro sem origem, que atravessa tudo sem jamais tocar— presença leve demais para ficar, ausência funda demais para ser esquecida.
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 2

Offline)
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