Maio de 1886.

julianahoffmannliska

A noite cai como um peso sobre o mundo, e nem as estrelas ousam aparecer. O céu está coberto por nuvens densas, como se também ele carregasse uma dor antiga — a mesma que habita meu peito desde que você partiu.

Há um silêncio estranho no ar.

Nem mesmo os pássaros cantam agora. O vento passa, mas não traz alívio — apenas espalha a ausência, como quem insiste em lembrar que você não está. Tudo parece suspenso, como se o tempo tivesse perdido o sentido naquela última despedida.

Meu amor… há uma tristeza que não se explica.

É como olhar para o céu esperando um sinal, e encontrar apenas o vazio encoberto. As estrelas, que antes testemunhavam nossos encontros, agora se escondem, como se não quisessem ver o que restou de mim sem você.

Em cada canto da noite, há um eco seu.

No frio que toca a pele, nas sombras que se alongam, na solidão que cresce enquanto as horas passam lentas. Maio trouxe o inverno para dentro do meu coração — um inverno que não conhece fim, que não permite florescer nada além da saudade.

Se ao menos uma estrela surgisse…

Talvez eu acreditasse que ainda existe luz em algum lugar.
Mas o céu permanece fechado — assim como você se tornou para mim.

E eu fico aqui, sob essa noite sem brilho,
amando em silêncio,
chorando por um amor que o tempo não levou —
apenas me deixou para carregar sozinho.



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