SETH e o Fogo da Calcinação

Francisco Queiroz

Passos curtos,

passos tortos,

somos lentos,

 

desatentos.

 

Seth se lança feroz,

nos impõe tropeços,

fardos, altos preços.

 

No deserto

da tormenta,

nos fragmenta.

 

Seth, o algoz,

lança-nos ao Nilo,

sem alento.

 

Sob areia escaldante,

deixa algo importante,

não faz caso.

 

Acende uma fogueira

e, a passos firmes,

vai embora.

 

Não demora:

algo vibra -

veja.

 

Uma alma

adormecida

lateja,

 

de repente, desperta

e vai ao grande rio

peregrinar.

 

Em noite fria,

buscou luz,

calor.

 

Se conduz ao fogo

e ali foi repousar,

em teu seio

se ofertar.

 

Logo,

arde,

calcina,

 

enfim,

esfria.

 

Porém, o seu fim

não seria

sua sina.

 

De teu próprio pó,

fecunda-se,

manifesta-se

e ganha autonomia.

 

Seth vê tudo

e, sorrindo,

diz: bela alquimia.

  • Autor: Francisco Queiroz (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 8 de abril de 2026 14:14
  • Categoria: Espiritual
  • Visualizações: 1
  • Em coleções: Silêncios.


Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.