Passos curtos,
passos tortos,
somos lentos,
desatentos.
Seth se lança feroz,
nos impõe tropeços,
fardos, altos preços.
No deserto
da tormenta,
nos fragmenta.
Seth, o algoz,
lança-nos ao Nilo,
sem alento.
Sob areia escaldante,
deixa algo importante,
não faz caso.
Acende uma fogueira
e, a passos firmes,
vai embora.
Não demora:
algo vibra -
veja.
Uma alma
adormecida
lateja,
de repente, desperta
e vai ao grande rio
peregrinar.
Em noite fria,
buscou luz,
calor.
Se conduz ao fogo
e ali foi repousar,
em teu seio
se ofertar.
Logo,
arde,
calcina,
enfim,
esfria.
Porém, o seu fim
não seria
sua sina.
De teu próprio pó,
fecunda-se,
manifesta-se
e ganha autonomia.
Seth vê tudo
e, sorrindo,
diz: bela alquimia.
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Autor:
Francisco Queiroz (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 8 de abril de 2026 14:14
- Categoria: Espiritual
- Visualizações: 1
- Em coleções: Silêncios.

Offline)
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