10 anos é muito tempo para alguém como eu — uma pessoa que não pensa nem nos próximos 20 minutos. Talvez me veja sendo saboreado pelos vermes, aos quais dediquei todos os meus sonhos e poemas.
Sou uma caveira que antes pertenceu a um escritor do começo do século XIX. Prazer em te conhecer, caro leitor. Quanto ao meu fenótipo, tenho grandes e profundos olhos sem brilho, largas e preocupantes olheiras e um sono lindamente mortal. Amante da arte histórica e um vagabundo sem emoção, apaixonado por escritores da literatura clássica brasileira, russa e alemã, minha depressão e desgraçada vida se inspiram na deles.
Já fui poeta; hoje sou o poema. Tentei a arte, e minha falha virou minha obra. Pretendo ser professor, talvez escritor — mas quem irá ler sobre uma vida sem pudor? Ainda não sei realmente o que irei ser, nem para onde me levará o curso de Letras. Amo o português e amo escrever, mas não sei se viverei tanto para ser chamado de professor por um aluno. Estes são meus maiores sonhos.
Minha vida mudou quando minha âncora se foi, meu amor me deixou e meu pai se transformou. E agora, quem escrevia sobre amor, hoje transcreve a dor — mas isso não durou: quando o catolicismo chegou, senti novamente o amor.
Não creio no sucesso, nem na fama; sou ateu quanto a isso. Sucesso não é fama, nem pilhas de dinheiro. O verdadeiro sucesso é ter o amor de Deus e uma família que te ama e te apoia. Sem isso, o sucesso não é nada — você se torna nada. E, por mais que eu tenha tudo isso, eu não sou nada.
A escola é apenas uma fábrica de robôs, onde ensinam um único pensamento. Sua função era nos ensinar a pensar diferente, mas nos enfiam provas goela abaixo, como comida requentada.
Para a sociedade, não devolverei nada — apenas grandes escritas tristes sobre minha vida. O pó que me deu vida eu devolverei à terra, e meus queridos vermes comerão meu melancólico cérebro. E o mundo me esquecerá.
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Autor:
Lilith (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 7 de abril de 2026 23:55
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 4

Offline)
Comentários2
Linda crônica, caiu uma lágrima. ?
Que prosa formidável. Sinto inveja.
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