sentei-me
na tela uma missão
prestar contas
ao soberano Leão
me distraio com as pontas
em vez dos números
versos
o rugido me alerta
volte
para sua obrigação
disperso
abro
tabelas
extratos
comprovantes
doravante
já me perdi
rimas
estrofes
títulos
ele me espreita
na surdina
que tolice
prestar conta
de uma ninharia
vou voltar à empreita
já dá pra sentir
a sua malha fina e fria
é assim que ele caça
de noite ou de dia
nunca lhe falta apetite
e para me devorar
no cardápio
suas receitas preferidas
o aperitivo:
Cadastro/Pessoa/Física
o principal:
pessoa selada no xadrez
a sobremesa:
lascas de penhora
e cá estou a versar
sobre essa minha demora
e olha que não é brincadeira
se eu não me entregar
ele me devora
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Autor:
Francisco Queiroz (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 7 de abril de 2026 10:18
- Comentário do autor sobre o poema: Realidade de muitos brasileiros: aqui, praticamente todos têm que declarar, seja pobre, médio ou rico. Os grandões de verdade sabem se esconder, mesmo carregando muita sonegação nas costas; os pequenos, se errarem uma vírgula no plano de saúde, são pegos. Tempos memoráveis — de certo ainda terei saudades deles. Tudo muda tão rápido. Um abraço a todos...
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 3
- Usuários favoritos deste poema: Arthur Santos
- Em coleções: Urbano.

Offline)
Comentários1
Grandes verdades. Belo poema.
Gratidão!
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