O VELHO ELEVADOR
é um velho elevador
que funciona e não funciona,
pára, arranca, arranca, pára,
sobe, desce, desce, sobe, anda numa fona.
vem um técnico, vai um técnico,
tira parafuso, mete parafuso,
diz que o elevador tem muito uso,
mete tudo, tira tudo, substitui tudo,
experimenta, liga, desliga
mas o mal é o mal nacional,
resolve-se, não se resolve,
e amanhã está tudo igual,
avariado como dantes.
é um velho elevador,
anda para baixo, anda para cima,
funciona dois dias e depois descansa,
parece afectado pela mudança de clima.
vem um técnico, vai um técnico,
tira óleo, mete óleo,
raspa aqui, raspa acolá,
lubrifica tudo e já está,
mexe em tudo, verifica tudo,
tudo está nos conformes,
lá se vão os homens dos uniformes.
no dia seguinte depois do sobe e desce,
o velho elevador pára, emudece!
tem paralelo com a roda da vida.
os alcatruzes da vida,
sobem, descem, descem, sobem,
numa paz ilusoriamente adquirida.
um dia, tal como o velho elevador,
inesperadamente um alcatruz avaria
e lá se vai toda a alegria!
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Autor:
Arthur Santos (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 7 de abril de 2026 07:42
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 2
- Usuários favoritos deste poema: Francisco Queiroz

Offline)
Comentários1
É sempre entrar em um elevador de Alegria que só sobe ler os teus versos, gratidão, Nobre Poeta!
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