O VELHO ELEVADOR
é um velho elevador
que funciona e não funciona,
pára, arranca, arranca, pára,
sobe, desce, desce, sobe, anda numa fona.
vem um técnico, vai um técnico,
tira parafuso, mete parafuso,
diz que o elevador tem muito uso,
mete tudo, tira tudo, substitui tudo,
experimenta, liga, desliga
mas o mal é o mal nacional,
resolve-se, não se resolve,
e amanhã está tudo igual,
avariado como dantes.
é um velho elevador,
anda para baixo, anda para cima,
funciona dois dias e depois descansa,
parece afectado pela mudança de clima.
vem um técnico, vai um técnico,
tira óleo, mete óleo,
raspa aqui, raspa acolá,
lubrifica tudo e já está,
mexe em tudo, verifica tudo,
tudo está nos conformes,
lá se vão os homens dos uniformes.
no dia seguinte depois do sobe e desce,
o velho elevador pára, emudece!
tem paralelo com a roda da vida.
os alcatruzes da vida,
sobem, descem, descem, sobem,
numa paz ilusoriamente adquirida.
um dia, tal como o velho elevador,
inesperadamente um alcatruz avaria
e lá se vai toda a alegria!
-
Autor:
Arthur Santos (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 7 de abril de 2026 07:42
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 41
- Usuários favoritos deste poema: Francisco Queiroz, G. Mirabeau

Offline)
Comentários5
É sempre entrar em um elevador de Alegria que só sobe ler os teus versos, gratidão, Nobre Poeta!
Grato pelo comentário Caro poeta Francisco. Abraço.
Olá poeta! Boa noite! O elevador não é apenas uma máquina velha; ele é um símbolo de algo maior. Quando você escreve que o problema é o mal nacional, você toca na ideia da desenrasca ou do conserto superficial Tira parafuso, mete parafuso, resolve-se, não se resolve. Há uma crítica clara à falta de soluções definitivas e à ineficiência burocrática ou técnica que faz com que, amanhã, esteja tudo igual. O elevador ganha características humanas e biológicas: Ele descansa, é afetado pela mudança de clima e, finalmente, emudece. Essa personificação prepara o leitor para o salto metafórico do final do poema: o elevador somos nós. A introdução da palavra alcatruzes (os baldes de uma nora ou roda de água) é brilhante. Ela muda a imagem de um elevador moderno para algo ancestral e cíclico: A vida é vista como um mecanismo de repetição (sobem, descem) que depende de que todas as peças funcionem. O poema sugere que o equilíbrio da nossa existência é precário. Achamos que estamos bem, mas, como o elevador, somos feitos de peças que se desgastam. Parabéns pelo poema! Meu abraço fraterno.
Amiga poetisa Vilma, soberbo comentário. FABULOSO! Muito obrigado pela brilhante interpretação do meu pobre poema! Abraço fraterno.
A condição humana, da repetição, da precariedade e da ilusão de controle. Um poema maduro, bem construído e com uma voz própria. Um arraso com sempre Caro Arthur.
Caro amigo poeta agradeço o seu simpático comentário Grande abraço aqui de Portugal.
É desse jeito.
Boa Noite!
Grato pelo comentário poetisa Leide.
Fantástica metáfora. Assim que me sinto.
Muito grato pelo seu comentário amigo poeta Mirabeau.
Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.