milésimo de segundo.

vivaz



naquele milésimo de segundo em que meu olhar encontrou o seu, eu senti meu mundo parar outra vez, e como alguém que já conheceu até o mais profundo da sua alma, sei que isso te abalou também.


não só por saber que não é qualquer coisa que te faz olhar pra trás, mas sim por reconhecer a esperança no seu olhar, nessa imensidão de olhos castanhos que jurou me amar, mas em uma tarde qualquer conseguiu destruir tudo como se nem tivesse chegado a ser algo um dia.


eu me pergunto se o destino seria tão cruel a ponto de me condenar a amar a pessoa que mais me fez chorar, se as palavras tem mesmo poder e algo divino escutou cada vez que eu jurei que te amava pra sempre, se eu mesma escrevi essa maldição de saber que eu seria consciente de dizer não pras suas desculpas e juras de amor, mas que no fundo a única coisa que eu desejo é poder ser a sua garota outra vez.

 

naquele milésimo de segundo eu desejei atravessar a rua e correr pro seu abraço que já me foi lar, eu me lembrei de todas as vezes em que aquela rua nos viu, e como cada centímetro daquela calçada deve estranhar não ver minha mão entrelaçada na sua, como cada canto mais escuro deve se sentir ao ser ignorado quando meses atrás estávamos lá em qualquer oportunidade pra se beijar da forma mais desesperada possível, sem sequer imaginar que alguma delas seria a última vez.

 

aquela rua parece tão silenciosa sem as nossas risadas, e eu sinto falta da sua quase todos os dias, e eu digo quase todos porque eu realmente venho me esforçando pra esquecer você, evito tocar no seu nome como se ele fosse amaldiçoado, tenho resignificado lugares como se nunca tivesse pisado neles com você, e em todas as outras vezes senti repulsa ao te ver, principalmente por saber que ela estaria ao seu lado.

 

mas naquele milésimo de segundo meu corpo todo se remoeu em saudade, como se ele tivesse esquecido todo o trauma em um momento de insanidade, eu sei que havia esperança, e sua esperança vem do seu arrependimento, mas você sabe que seu erro não tem perdão, que ao mentir olhando nos meus olhos você estragou tudo.

 

que o seu desespero foi tão grande que sucumbiu a hipocrisia, de agir exatamente como as pessoas que você sempre criticou, de fazer comigo o que você condenou o seu pai por fazer com a sua mãe, ou até mesmo o meu por fazer com a minha.

 

eu me pergunto se você ao menos teve a decência de tirar a aliança antes de tocar o corpo dela, e se em algum milésimo de segundo você pensou em tudo que planejamos construir enquanto você estava prestes a destruir isso, você se tornou a pessoa mais podre que eu já tive o desprazer de conhecer, mas uma parte minha ainda te ama com todo o meu ser.

 

e eu espero que um dia, esse um milésimo de segundo não deixe meu coração ser irreverente, e que minha memória esteja presente, pra não esquecer de como você se foi de repente.

  • Autor: vivaz (Offline Offline)
  • Publicado: 6 de abril de 2026 16:38
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 4


Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.