CORRESPONDÊNCIAS:
ATO UM
Ao sorrirmos de lado
Codinome soslaio, quem me dera não violar meu íntimo
Pois é de lado que se faz uma vida
Ou mediante a benção negra
Das feras e santos
Que noutro punhal avanço
sendo cordial, amável, pois ao contrário dos que dizem
o punhal é primitivo...
Ora, foi Isaac que quase acertado se saiu do punhal
E acaso o judaísmo é primitivo
Confesso não entender fêmeas
São algumas dançarinas e encantam
Outras dóceis e encantam
Outras raivosas e encantam
Mas onde está o encantamento
Não seria para algumas em não querer encantar?
Mas sendo sem encanto não há encantado e nem encantamento
De modo que a magia não é algo infantil ou como uma bisnaga ou sementes
A semente é para o dente o que o cisco é para o olho
O poeta ou a poetisa, como diria Hilda: é corpo
Assim, vou inventar tudo que tenha corpo
Porque assim te terei
Não sei teu encantamento ainda, embora velhos magos me aconselhem
Eles estão em seus afazeres
Sou um mero discípulo
Por isso ainda me ocupo com as sementes ao sol
O mal do escrito são os dedos doloridos,
mas tem que parir
E como saber o fim?
A hora de parar de te olhar
Ah, mas dessa vez não sou zombeteiro, soou mestre Meister
As correspondências com cavalos
Talvez por isso o sonho com cavalos?
Que universo mais medievo!
Talvez devesse flertar com Kerouak, não nada disso aprecio
Isso é migalha de lisergismo
Poesia tem de sair do cranio, não de artifícios loquazes
E assim virá a vida natural.
ATO 2 - CORRESPONDÊNCIAS.
Tanto fostes bela em outrora que encantaste todos os meus meninos
Historieta antiga
Dócil, dulcíssima, percebo os meninos vindos de Deus
Você os percebe?
Ah, em tua doçura até o cruel calou...
Eu engulo a seco uma saliva dúbia
Pois não posso, estou sob juramento
Pois quando dois juram, juram também o silêncio
Das espadas flamejantes
Ah, bela Columba!
Tu caminhas como bailarina...
Algumas são altaneiras, outras de alfazema
Outras menininhas que casam a terra
De onde nascem as sementes que engulo a seco e cada uma delas tem um
sabor
Oh, notável espada que cortas e ao mesmo tempo avisa
Ah, um romance entre nós
As teclas da Harmonia guardam internamente quem eu sou
Sou um montador, cubro-te donzela amada
Os préâmbulos às escuras, as letras, na luz
Quem me dera sua doce aparência que espelha a própria alma
Eis que são raras almas assim, por isso deves ser protegida
De tão nobreza que mal penso no corpo, diferente dos outros cavaleiros que
aos montes
Sobem escadas à tua procura
Fico silencioso:
Espero,
Nada direi, senão papéis estéticos,
Tudo te dei, do meu esforço, o da retina
Seguirei em meu alasão, dobrarei e manterei o soslaio
De voltas das pelejas, encontro-me atado em teus braços
Você me diz: melancólico
baixe a cabeça, soluçe feito criança, faremos crianças?
cavalinhos sibilantes
Que circulam ao derredor
Dumas era meu companheiro
de noites mal dormidas
Para lembrar dos filhotes
Que deixo sem saber se vou voltar
E tu ou você, seja como for, senhora...
Não sabes o que fazer de aflição
São as crinas apaixonadas!
Seres estonteantes
Donos de Globos, clavículas, soturnas, ambíguas, disformes e inequívocas
Fantasmas e ametistas
De repente um jogo de runas
Antes das tabernas
Sardonismo!
Já que a velha cancioneira aprecia espécies
Rupestres, as folhagens, ditirâmbicos
Monges e seus toneís
Embriagados em seus selos
Olhos camponeses pagãos
Garras coçam minhas costas cansadas
Cascos ferozes na fronte e na retarguada
Dinastia, Triarquia dos amores perdidos
Tanatofilia
Este choro silencioso da notícia
Por mensageiros tenebrosos
Keravnos Kivernitus...
ATO 3
Odin Comeu as Valquírias
Ragnarok é o maior fim da luxúria
É vero que és Tenebrarum
Os Nephilim’s e o Ovo Cósmico
Oh, amável Balder, nenhum e ninguém te fará Mal
É como o fruto proibido, as cavaleiras Amazonas
São como Loki dúbio
Bravo Balder e o ódio implacável de Loki
Toda bravura tem bondade, todo ódio tem perversidade
O Ovo choca
Nana, tu não queres conhecer as decomposições?
O abismo?
Ou a morte?
Ragnarok
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Autor:
Ronald Pinho1 (
Offline) - Publicado: 6 de abril de 2026 11:58
- Comentário do autor sobre o poema: Peça para três Atos sobre Ragnarok
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 3

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