ASAS DO VENTO

Vilma Oliveira


Aviso de ausência de Vilma Oliveira
YES

 Se essa voz do vento murmurasse

Aos teus ouvidos, os meus desejos,

Na minha, a tua boca calasse...

Teus lábios, a me tocar com beijos!

 

Se o silêncio da noite despertasse

Os teus sonhos de luzes coloridas

Cada estrela do céu não se apagasse

Ao ver-me sem a Luz da tua Vida!

 

Nas asas do vento vou colher rosas,

Em nuvens pesadas e vaporosas...

Contidas pelo pranto que me invade;

 

A primavera saudosa de nós dois...

No arrebol da longa espera, no depois,

Vergel florido a recompor saudades!     

  • Autor: Vilma Oliveira (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 4 de abril de 2026 20:59
  • Comentário do autor sobre o poema: Breve análise deste meu soneto: A ideia de que o vento pudesse "murmurar" seus desejos retira o peso da confissão direta, tornando o amor algo que faz parte do ambiente. O contraste entre o som (murmúrio) e o silêncio (boca calada) cria uma tensão romântica clássica, onde o beijo é a única resposta necessária para interromper o fluxo das palavras. A segunda estrofe traz um elemento de fragilidade. Ao dizer que as estrelas não se apagariam ao te ver "sem a Luz da tua Vida", você coloca o ser amado como o seu sol central. Sem essa luz, o eu lírico estaria em trevas, e a permanência das estrelas seria o testemunho da sua solidão. Os "sonhos de luzes coloridas" representam a vivacidade que o outro traz para a sua noite. A imagem de "colher rosas nas asas do vento" em meio a "nuvens pesadas e vaporosas" é de um lirismo melancólico muito forte. Sugere que, mesmo no sofrimento ("pranto que me invade"), você tenta extrair beleza e amor. É a persistência do poeta que encontra flores onde outros veem apenas tempestade. O desfecho é de uma esperança restauradora. O termo "vergel florido" (pomar ou jardim) sugere que a saudade não é apenas dor, mas um terreno onde algo novo pode brotar. O "arrebol da longa espera" indica que o fim dessa espera está próximo, como o pôr do sol que anuncia um novo ciclo. Você não apenas sente saudade; você a recompõe, transformando a falta em presença através da memória e da esperança. É um poema sobre a espera ativa. O eu lírico não é passivo diante da saudade; ele colhe rosas, observa as estrelas e prepara o jardim para o retorno do amor.
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 43
  • Usuários favoritos deste poema: Apegaua, Sinvaldo de Souza Gino
  • Em coleções: Sonetos.
Comentários +

Comentários2

  • Maria do Socorro Domingos

    Querida poetisa Vilma, qualquer palavra fica pequena, diante da beleza e seus versos!
    Um primor de soneto! De causar inveja ao próprio Camões.
    Parabéns e um grande abraço.

    • Vilma Oliveira

      Querida poetisa Maria do Socorro,
      Muitíssimo obrigada por seu comentário elogioso.
      Sinto-me lisonjeada com suas palavras, mas não
      chego sequer aos pés de Camões. (risos)

    • Sinvaldo de Souza Gino

      Favoritei, lindo poema, você merece ter os seu poemas como favoritos!!!

      • Vilma Oliveira

        Obrigada meu amigo poeta!
        Meu abraço fraterno e uma ótima noite pra você!



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