144 - RELATÓRIOS POLICIAIS

Arthur Santos

RELATÓRIOS POLICIAIS

Estes poemas foram escritos baseados em relatórios reais de investigação criminal (excertos de autos, peças processuais e diligências).

 

CENA 1

o Senhor António anda frustrado,

mesmo a passar um mau bocado

e não lhe passa.

gastou uma pipa de massa

em silicone nas mamas da mulher

e é outro que anda lá a meter a colher!

 

CENA 2

a culpa do incidente não foi do condutor,

o homem não foi transgressor,

nem ganhou para o susto com o sobressalto,

teve até em risco a própria vida,

porque "naquela estrada o asfalto

era de terra batida"!

 

CENA 3

chefe, detive este meliante

e até tenho prova redundante.

averiguei junto de pessoas impolutas

e fiquei a saber que ele

é "herdeiro e vozeiro" nessas condutas!

 

CENA 4

declaro para efeitos legais,

isso será notícia nos jornais

e também porque eu vi

que a ofendida vestia "Lã-Jeri"

 

CENA 5

confirmo meu comandante

e é a opinião de muita gente

que o arguido, para além de arrogante,

era de "de raça nómada" evidente!

 

CENA 6

depois de investigar o local do furto

e de ouvir as declarações das vizinhas,

concluí que não roubaram o cavalo.

só roubaram "vinte e quatro galinhas,

das quais uma era galo"!

 

CENA 7

porque proferiu vários impropérios,

tive de levar a mulher presa.

alguns eram bastante ofensivos e sérios,

na "língua de Camões e em língua francesa"!

 

CENA 8

como ele consegui não sei

e declaro que não o apalpei,

não quero contactos com essa gente,

o indivíduo trazia o estupefaciente

não como é hábito deles, no ténis

mas junto do "órgão genital masculino,

mais conhecido por pénis".

 

CENA 9

parece ter sido uma luta entre rivais

com  acontecimentos pouco banais.

quase me senti perdido.

o arguido antes de bater no ofendido

e na frente da sua mulher,

atirou-lhe com uma caixa em plástico,

"nomeadamente um tampa-roer".

 

CENA 10

o arguido parecia uma fera.

escondido, fez uma espera

e agrediu violentamente o ofendido,

com um pesadíssimo "paralelo-ipípado".

 

CENA 11

desculpe meu comandante

mas era tanto o fumo e as faíscas

que só consegui perceber naquele instante

que o arguido, vestia uma "techerte" azul às riscas

 

CENA 12

os meliantes foram muito ligeiros,

nem tive tempo de os identificar.

cegaram-me com os fumos do escape,

pois colocaram-se em fuga, os bandoleiros,

ao volante duma velha "picap".

 

CENA 13

determina-se à medicina legal

que para averiguar as causas da morte,

se faça ao cadáver, uma "autópsia parcial".

 

CENA 14

venho por este meio formal

comunicar a Vossa Excelência

que na estrada Nacional

que liga ao aeroporto,

foi encontrado um cadáver morto

embrulhado num lençol

que pela fala parece ser espanhol!

  • Autor: Arthur Santos (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 4 de abril de 2026 14:15
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 4


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