Quase Foi amor (e isso é o pior)

Pietro Guilherme Piazera

Quase foi amor

eu quase te esqueci
mas “quase” nunca foi ausência
é só uma saudade
mal resolvida.

você ainda mora
naquelas partes do dia
que ninguém vê.

no silêncio
depois da música
no vazio
antes de dormir.

e eu juro
que segui em frente,

mas tem dias
que tudo em mim
tropeça em você.

e dói
não pelo que fomos,

mas pelo que
poderíamos ter sido.

  • Autor: Pietro G. Piazera (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 3 de abril de 2026 16:20
  • Comentário do autor sobre o poema: um “quase” que ainda pesa como se fosse inteiro.
  • Categoria: Amor
  • Visualizações: 11
Comentários +

Comentários1

  • Vilma Oliveira

    Olá poeta! Boa noite! O poema gira em torno da palavra título. O quase aqui não é um estado de alívio, mas de aprisionamento. O autor define o quase como uma presença disfarçada. Não é que o sentimento acabou; ele apenas diminuiu de volume, mas continua ocupando espaço. A segunda e terceira estrofes são as mais potentes visualmente. O autor desloca a lembrança dos lugares públicos para os intervalos do tempo: O silêncio depois da música e o vazio antes de dormir: São momentos de guarda baixa, onde a distração do dia a dia cessa e a falta da pessoa transborda. O amor aqui não é um evento, é um resíduo. O eu lírico tenta convencer a si mesmo (e ao leitor) de que seguiu em frente (eu juro). A metáfora do tropeço é perfeita para descrever o luto amoroso: você está caminhando (seguindo a vida), mas algo invisível (a memória) te faz perder o equilíbrio. A superação é mostrada como algo frágil, que desmorona em certos dias. O desfecho revela a verdadeira fonte da angústia: Pelo que poderíamos ter sido: Esta é a dor da interrupção. O sofrimento não é pelo passado real (que pode ter tido defeitos), mas pela idealização do futuro que foi cortado. É a dor da expectativa frustrada, o que torna o quase muito mais pesado que o foi. Parabéns pelo poema! Meu abraço poético.

    • Pietro Guilherme Piazera

      Gratidão por explicar e ter bem a visão do meu poema, abraços dona Vilma, Deus abençoe.



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