Cercas de Pedra
Goiás, cidade antiga e nobre
Cercas de pedra, história cobre
Mãos escravas, suor e dor
Pedras que contam, um passado de amor
Cercas se estendiam, pelo campo e estrada
Marcando limites, da terra conquistada
Escravos trabalhavam, sob sol e chuva
Construindo legado, de cidade que se ergueu
Hoje, cercas restam, testemunho mudo
Luta e sofrimento, de povo subjugado
Pedaços de pedra, tempo não apagou
Lembram história, de passado que não se esqueceu
Pista dupla, cidade cortou em dois
Não apagou memória, dos que aqui sofreram
Cercas de pedra, símbolo de resistência
Lembrete da força, de alma que não se rendeu
Ainda hoje, cercas, se erguem como monumento
Àqueles que trabalharam, com suor e lamento
Legado de pedra, história não pode apagar
Testemunho da luta, de povo que quer ser livre.
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Autor:
GINO (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 3 de abril de 2026 11:50
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 4

Offline)
Comentários1
Olá poeta! Boa noite! O poema transforma um elemento físico (as cercas) em um narrador. As pedras não são apenas limites de propriedade, mas testemunhos mudos que guardam o DNA da construção da cidade: o suor e a dor da mão de obra escravizada. Há uma tensão proposital logo no início entre a cidade antiga e nobre e as mãos escravas. O poema expõe que a nobreza arquitetônica e histórica de Goiás foi erguida sobre um sistema de opressão. A menção à pista dupla que cortou a cidade em dois é uma metáfora moderna. Mesmo com o progresso urbano e as intervenções físicas no espaço, a memória do que aquelas cercas representam (a divisão, o domínio e a resistência) permanece inalterada. O fechamento do poema muda o tom. O que começou como um relato de lamento termina como um monumento e símbolo de resistência. A pedra, que antes marcava a fronteira do senhor, agora é lida como a prova da força da alma que não se rendeu. Parabéns pelo poema! Meu abraço fraterno.
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