Não me pergunte como me defino.
Eu me defino como indefinido,
Indefinível...
Como um ser luminoso e invisível
Mas violento e irreal
Como um buraco negro,
Singularidade final...
Corriqueiro como a desesperança,
Idiota como uma criança genial...
Não me pergunte se me conheço,
- Se nem instintos obedeço!
E, ainda, não paguei meu preço,
Não rezei meu terço,
Nem quebrei meu berço!
Ainda, em mim, não me perdi!...
Não me queiram libertar!
Não de mim...
Não me ensinem a pensar,
A ver liberdade,
A querer verdade.
A verdade... é que não existe!
Liberdade?
Sei...
Deve-nos ornar... por fora!
- Sejamos cativos dessa liberdade!
Não me queiram feliz!
Da felicidade escapei... por um triz!
Eu nunca fiz o que quis:
Eu sempre fiz o que quis.
E ainda quero!...
Não me interessa o que sabem,
Sim como aprenderam...
Quais seus mestres?
Se os têm,
Aprenderam nada.
Se os buscam,
Esta trilha é errada!
Não me amem!
Não me entendam...
Não me clamem!
Não me aprendam...
Apenas sejam-me...
Embalem-me docemente.
Apenas deixem-me
Voar calmo, levemente...
Nascer do Sol do poente,
Morrer de minha semente,
Cantar meus versos dementes
E, infértil, abortar
O marasmo, o orgasmo
De um modo de não pensar...
Inundar-me com o espasmo
De uma nova razão:
Libertar a qualquer hora
O pensar do coração;
Não permitir ir embora
Minha falta de razão;
Não ser feliz,
Infelicidades perder
No meu caminho,
Minha escola...
E não aprender
Do modo como se ensina
A se pensar agora!...
-
Autor:
G. Mirabeau (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 2 de abril de 2026 18:55
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 2

Offline)
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