Talvez em Outra Vida
Talvez em outra vida…
em outra vida,
talvez.
Talvez em outra vida
eu não carregue pedras
amarradas aos meus pés,
me puxando, lentamente,
para o fundo
de águas profundas de tristeza.
Talvez em outra vida
minha família me veja como filha,
ou talvez
eu tenha uma família
que saiba ser lar.
Mas e se esse “talvez”
for só uma desculpa silenciosa
para algo
que eu sei
que nunca vai acontecer?
É difícil viver assim—
sempre tão triste,
tão cansada.
Cansada…
de ser cansada.
Quero ir pra casa,
mas como voltar
para um lugar
que nunca foi abrigo?
Como permanecer
onde meu coração
se quebra um pouco mais
a cada dia?
Falo da minha dor
como se fosse comum,
mas por dentro
eu sou silêncio,
vazio,
eco.
E, às vezes,
o silêncio grita mais alto
do que qualquer palavra.
Ninguém conhece, de verdade,
a dor do outro.
Às vezes,
não precisamos de respostas—
apenas de alguém
que escute.
Porque ninguém vê
o que existe por trás de um sorriso:
a dor,
o rancor,
o ódio,
a tristeza,
a melancolia,
os pensamentos que ferem
em silêncio.
Dizem que passa…
que tudo passa.
Mas não é sobre acreditar nisso.
É sobre suportar.
É sobre aguentar
tudo o que vive
aqui dentro.
“Você é forte”, dizem.
“Você aguenta.”
Eu sempre aguento.
Sempre.
Mas…
acho que não.
Às vezes penso:
e se a única forma
de não sentir dor
for não sentir
mais nada?
E se essa for
a resposta?
Não é preguiça.
É ausência de força.
É falta de sentido
nas coisas
que um dia
me fizeram sorrir.
Estou exausta.
Ainda tento.
Ainda insisto.
Mas sei…
que um dia
talvez eu pare.
Porque nem sempre há justiça,
e às vezes
cuidar de tudo
custa
a própria mente.
E, no fundo,
acho que só preciso
de uma pausa—
uma pausa
de mim.
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