Pedra em estado de espanto

Antonio Luiz

na beira desimportante dum brejo

entre sapos que pensavam úmido

havia uns que choravam claridades

 

não era reflexo dalguma tristeza

era de morar tão perto do silêncio

que aquilo lhes escapava dos olhos

 

e por saberem mais de eternidade

que certos panos de bolso antigos

não se rendiam à lida dos enxugos

 

as lágrimas vazadas permaneciam

quase redondas, feito esse mundo

como se a lua toda nelas coubesse

 

e eu que vinha em pedra da cidade

só espiei – com cuidado de mistério

uma pequena poça de luz no chão

 

 

-- esse poema foi publicado em meu blog pessoal (https://antoniobocadelama.blogspot.com/) em 01/04/26 --

  • Autor: Antonio Luiz (Offline Offline)
  • Publicado: 1 de abril de 2026 12:53
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 2


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