141 - OS PRINCÍPIOS MORAIS E OUTROS QUE TAIS

Arthur Santos

OS PRINCÍPIOS MORAIS E OUTROS QUE TAIS

vós que andais

por terras descomunais,

falai-me dos princípios morais.

 

são essenciais?

pedem credenciais?

são paradoxais

ou apenas conjunturais?

 

são princípios individuais

provavelmente convencionais,

enfim pessoais,

são princípios naturais

e nunca demais,

isso jamais.

 

os princípios morais

são sempre legais
e sapienciais,

as suas aplicações são gerais,

fazem parte das ordens sociais.

ah! e são racionais,

não têm que ver com perturbações intestinais,

nem com assuntos sexuais

e não são sazonais,

nem são valores extra patrimoniais,

nem custam seiscentos reais.

 

os princípios morais

são mais que colossais

e têm vida, não são minerais,

nem órgãos sensoriais,

não fazem distinções, são imparciais

mesmo em casos excepcionais

e para todas as situações, não são eventuais.

são para todos iguais,

não há diferenças abismais,

são princípios integrais

e não lhes interessam antecedentes criminais.

são válidos mesmo em momentos circunstanciais

 

 

os princípios morais

são vitais

mas pecam por serem incondicionais

por vezes são desproporcionais.

condenam os bacanais

porque os consideram... imorais.

condenam os homossexuais

e consideram normais

os heterossexuais.

são pelos escritos ancestrais

que por vezes são irreais.

deixam-se manipular por razões eleitorais

alinham nas contradições habituais

e aí a verdade e a mentira são tangenciais.

 

os princípios morais???

o que é isso???

  • Autor: Arthur Santos (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 31 de março de 2026 08:31
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 8
  • Usuários favoritos deste poema: G. Mirabeau
Comentários +

Comentários1

  • Vilma Oliveira

    Olá poeta! Boa noite! Você começa definindo a moral como algo sapiencial e racional, mas logo subverte isso. Ao dizer que ela não tem que ver com perturbações intestinais ou seiscentos reais, você ridiculariza a tentativa humana de dogmatizar o comportamento. O poema mostra a moral como algo que deveria ser imparcial e integral, mas que na prática se perde em razões eleitorais e preconceitos (como a condenação aos bacanais e aos homossexuais). Você aponta que a base dessa moral muitas vezes é irreal e manipulável, servindo mais para controle social do que para ética verdadeira. O ponto de interrogação triplo no fim (os princípios morais???) e a pergunta o que é isso??? transformam toda a ladainha anterior em um castelo de cartas que desmorona. Você sugere que a moral, da forma como é pregada, é uma ficção conveniente. Meu abraço fraterno.

    • Arthur Santos

      Talvez porque a moral apregoada pela nossa sociedade é um mundo de contradições que umas vezes é uma coisa outras vezes é outra ao sabor das conveniências... Grato pelo comentário amiga Vilma.



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