Cigarrilha

Lauraa

Cigarrilha:

 

Todas as noites, ao limiar do sono,

acendo um braseiro, e a chama, em seu fulgor,

reverbera os abraços, o teu doce abandono.

Ao tragar, a secura invade a garganta, em dor.

Então, a fumaça, em véu etéreo e cinzento,

alça-se qual cinzas de palavras não ditas,

um lamento mudo, um segredo no vento.

Se este for o fardo, as enfermidades, benditas,

não virão do fumo que o pulmão consome,

mas de ti, ausência que a alma me impõe.

Cada cigarro, em seu lento e breve nome,

não incinera o afeto que em mim se dispõe.

Nem a tragada mais longa, em seu percurso,

que adentra as vias, buscando o teu lugar,

alcança o abismo onde jaz meu recurso:

sentimentos profundos que não sei desenterrar.

Rogo, ao exalar, que o sopro do destino,

leve as cinzas, e a fumaça, doce e inebriante,

seja o bálsamo etéreo, um esquecimento divino.

  • Autor: Lhidria, a rosa rubra. (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 30 de março de 2026 16:59
  • Comentário do autor sobre o poema: Convivi (e ainda convivo) muitos anos com pessoas que fumavam, passei parte da minha vida admirando e observando aquilo. Hoje virou um conforto, por mais que eu não faça o uso.
  • Categoria: Triste
  • Visualizações: 2
  • Em coleções: Melancólia e cafeína..


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