Entre as páginas amareladas do tempo,
Nas linhas trêmulas de uma carta antiga,
Vive um amor que o vento levou,
Mas que o coração, teimoso, ainda abriga.
Era a juventude, doce e breve,
Quando nossos olhos se encontraram num instante,
E entre palavras tímidas e toques suaves,
Prometemos um para sempre errante.
Escrevi teu nome nas noites solitárias,
Te desenhei nas estrelas, nos sonhos meus,
E cada carta era um pedaço de nós,
Um verso perdido nos olhos de Deus.
Mas a vida, com sua pressa e seus caminhos,
Levou-te para longe, para além do horizonte,
Ficaram as lembranças, os retratos e o vazio,
E esse amor guardado como água numa fonte.
Ainda sinto teu perfume nas flores que desabrocham,
Ainda vejo teu sorriso no nascer do sol,
E mesmo que o tempo transforme tudo em pó,
Te guardo aqui, como uma joia, como um farol.
Ah, se o destino permitisse um último encontro,
Uma chance de dizer o que nunca foi dito,
Talvez nos olhássemos nos olhos, sem palavras,
E o silêncio confessasse esse amor infinito.
Mas seguimos, cada um com seu caminho traçado,
Eu, com o peso das cartas que já enviei,
Tu, talvez já esquecestes do menino apaixonado,
Que na saudade e no tempo, por ti sempre esperarei.
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Autor:
Brendon Leão (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 29 de março de 2026 07:33
- Categoria: Amor
- Visualizações: 2

Offline)
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