Tem um rio morando em mim
faz tempo.
Ele não aparece nas fotos,
não faz barulho suficiente
pra que alguém note…
mas corre.
Corre por dentro
como quem guarda histórias
que ninguém viu.
Tem dias
que ele fica manso,
quase um sussurro —
e eu até consigo respirar melhor.
Mas tem dias…
ah, tem dias
em que ele sobe sem aviso,
encosta nas bordas do peito
e ameaça transbordar pelos olhos.
E eu seguro.
Seguro como posso.
Sorrio,
converso,
finjo que é só mais um dia comum.
Mas aqui dentro
nada é comum.
Aqui dentro
é correnteza.
Já me culpei por sentir demais,
por não saber conter
esse rio inquieto em mim…
até entender
que rio não foi feito pra parar.
Rio foi feito pra seguir,
mesmo quando leva pedaços
de tudo que já doeu.
E talvez…
só talvez…
esse seja o jeito da vida
de limpar o que ficou pesado demais.
Então eu deixo.
Deixo correr.
Deixo levar.
Deixo ir.
Porque no fundo…
esse rio que me atravessa
também é o mesmo
que me mantém viva.
Scheilla Lobato...
-
Autor:
Scheilla Lobato (
Offline) - Publicado: 28 de março de 2026 21:23
- Comentário do autor sobre o poema: Texto inspirado no Poema Lamento de Um Rio, tambem de minha autoria.
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 7
- Usuários favoritos deste poema: Arthur Santos

Offline)
Comentários2
Muito bom termos na vida um rio que nos atravessa e nos mantém vivos!
Belíssimo poema Scheilla!
Um poema que segue seu fluxo silêncio como rio.
Abraços!
Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.