Jogando xadrez com ódio nas feridas abertas,
pensando em você enquanto o tabuleiro pega fogo,
abri a partida com um gambito de ilusões,
sacrificando a paz nesse jogo louco.
Os peões avançavam como dias sem sentido,
casa por casa na direção do teu olhar,
cada movimento era uma tentativa
de fazer o destino me deixar te amar.
O cavalo saltava em S pela madrugada,
desenhando no tabuleiro a letra do teu nome,
como se a lógica do jogo fosse inútil,
quando o coração é um pensamento com fome.
A rainha dominava o centro da minha mente,
os bispos cortavam diagonais de dor,
a torre fechava as portas do silêncio,
protegendo os restos do amor.
No meio-jogo eu pensei na vida,
e no absurdo de tentar entender a paixão,
talvez amar seja só uma invenção humana
pra suportar o vazio da existência e da razão.
Veio o final como um golpe filosófico,
o tempo caiu no relógio sem compaixão,
e eu entendi no silêncio da madrugada:
o amor não salva ninguém da solidão.
O rei tombou sobre as casas queimadas,
o cavalo parou sem direção,
e no último lance da consciência fria
a verdade deu xeque-mate no coração:
amar é só um movimento no tabuleiro do nada,
um erro bonito da mente na imensidão,
e no fim da partida da vida sem sentido
ninguém vence…
todos perdem no vazio da própria existência.
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Autor:
Victor_Poeta (
Offline) - Publicado: 28 de março de 2026 18:02
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 3

Offline)
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