A LOUCURA

Vilma Oliveira


Aviso de ausência de Vilma Oliveira
YES

Meu olhar se desprende num minuto

A mente chamuscada em brasa...

Voa o pensamento, cria asas,

No íntimo: solidão, saudade e luto!

      

Corro numa derrocada louca!

Como se os dias não tivessem fim...

As noites vazias calam em mim

O último beijo teu na minha boca!

 

Quisera eternizar essa loucura,

Numa torre nebulosa e escura,

Nesse meu castelo de rainha;

 

Sem mais coroas, reis nem tronos,

Sem o desconsolo, esse abandono,

A sorrir todas as almas com a minha!

 

  • Autor: Vilma Oliveira (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 27 de março de 2026 20:31
  • Comentário do autor sobre o poema: Breve análise deste meu soneto: A imagem da "mente chamuscada em brasa" sugere um esgotamento mental, como se o excesso de reflexão tivesse queimado as defesas da alma. No entanto, dessa destruição nasce a liberdade: o pensamento "cria asas". É a mente tentando fugir do trio opressor que você define no verso seguinte: "solidão, saudade e luto". Você descreve uma "derrocada louca", um movimento de queda ou fuga onde o tempo parece estelar e infinito ("dias sem fim"). O ponto mais tocante é a ideia das "noites vazias" que calam o "último beijo". Aqui, o beijo não é uma lembrança doce, mas um selo de silêncio que marca o fim de uma era. Ao desejar eternizar a loucura em uma "torre nebulosa e escura", você busca um refúgio onde a lógica do mundo não alcance. É um espaço de isolamento necessário para a cura. O encerramento é surpreendente e luminoso. O verso final — "A sorrir todas as almas com a minha!" — sugere que, ao abrir mão da sua "realeza" (seu ego, sua dor individual, sua posição), você finalmente consegue se conectar com o universal, transformando a solidão em uma alegria compartilhada entre almas. Você conclui que a verdadeira riqueza não está no trono do castelo, mas na capacidade de despir-se das coroas para poder sorrir em harmonia com o todo. É a morte da "rainha triste" para o nascimento da "alma livre".
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 85
  • Usuários favoritos deste poema: Apegaua
  • Em coleções: Sonetos.
Comentários +

Comentários2

  • LEIDE FREITAS

    Simbolismo, romantismo e melancolia, tudo junto e misturado, formando um lindo poema.

    Boa Noite, poeta Vilma Oliveira!

    • Vilma Oliveira

      Muito obrigada por seu comentário querida poetisa Leide!
      Beijos de luz!

    • Apegaua

      Enviar comentário?
      Isso e uma faca de dois gumes, por isso que por aqui só os desesperados por ser poeta os fazem.
      Dessem de suas carruagem douradas, seguindo os raios acinzelados da Lua e oferecem suas cabeças, a uma guilhotina com as laminas carcomidas.
      Que se nega por ceifa-las.
      E agora que faço, comento ou empino meu nariz com os pensamentos funesto a cutucar minha mente que não quer se calar.
      Bravos, mestra poetisa das Campinas grande, por muito te ler e gostar dos traços e que declaro sem medo, amei.
      Abraços.
      Apegaua

      • Vilma Oliveira

        Olá poeta! Boa noite! Agradeço suas palavras de carinho e atenção.
        Realmente, tenho observado também que a quantidade de leituras são
        inúmeras vezes maiores do que os comentários e curtidas.
        Fazer o quê? Talvez os poetas deste site não querem perder seu tempo
        precioso deixando registrada sua passagem com algumas poucas
        palavras de incentivo ao colega, pois dividimos o mesmo espaço e os
        mesmos ideais. Porém, vamos seguindo nossa longa caminhada com
        esperança e consciência que estamos fazendo o nosso melhor.
        Um forte abraço, grata por deixar registrado seu parecer e incentivo.



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